Drácula: A Love Tale (2025)

Escrito e dirigido por Luc Besson (de O quinto elemento, O profissional e outros), é um romance de fantasia gótica baseado no clássico livro de Bram Stoker, Drácula de 1897. Preciso dizer que relutei muito em escrever sobre esse filme, mesmo tendo adorado e chorado muito no cinema. Fiquei completamente hipnotizada e inebriada com tudo, a releitura do clássico, a linha do tempo, cenários, figurino, fotografia, trilha sonora e por aí vai. Sou uma amante de romances góticos, principalmente os de vampiro e criaturas noturnas. E, por esse motivo achei que escrever sobre o filme seria mero clichê de uma amante de filmes de vampiros (sim, eu li crepúsculo umas 3x e assisti todos os filmes da saga, me julguem).

Também sou apaixonada por dramas sem finais felizes, amores impossíveis e toda a estética de almas gêmeas que se encontram e se separam. Dito isso e vocês estando avisados que haverá muita rasgação de seda pelo filme, podemos prosseguir.

Aviso aos navegantes que por aqui trabalhamos com spoillers com fins de instigar você, caro leitor a apreciar as obras das quais indico!

O filme começa mostrando momentos mágicos e apaixonados de Vlad e sua espoa, Elisabeta em um clima quase como o de Sonhos de uma noite de verão. Ela é tudo para ele e ele é a vida dela (Berros internos, quem não deseja um homem apaixonadíssimo não é mesmo? Shiu, não fala nada sobre obsessão ser nocivo! Obrigada!), porém Vlad precisa ir para a guerra contra os Otomanos e daí por diante é só ladeira abaixo. Mas, teve uma cena que eu só entendi quando eu assisti umas entrevistas com os atores que é quando o Caleb (quem dá vida ao Vlad) diz: e tudo fica ainda mais intenso porque ela está grávida (gente, meme da bomba explodindo). Fiquei desolada e reassisti diversas vezes ao trecho do filme e realente os olhares dos dois se falam!

Blá blá blá ela morre nos braços dele em uma das cenas mais incríveis até então. Ele renega deus, se torna um vampiro e todo aquele desenrolar clássico de Drácula. Temos sim muitas coisas diferentes, outras visões que não foram exploradas em outras adaptações, como a de um Drácula que sofre de depressão e tenta se suicidar diversas vezes, roda o mundo em busca de reencontrar sua esposa que pode ter renascido após 100, 200, 300, 400 anos. Um Drácula perfumista, feiticeiro por assim dizes e extremamente obcecado em encontrar o grande amor da sua vida. Não necessariamente mau, mas desiludido com a futilidade da corte e entediado o suficiente ao ponto de não ligar para quem mata, se isso o fará chegar onde deseja: sua esposa.

Corta para Londres e Mina preocupada com sua amiga Maria que foi internada em um hospital psiquiátrico por ter surtado no casamento por causa de um padre (sorrisinho amarelo aqui gente), o Dr Van Helsing levanta a causa da loucura de Maria e uma equipe se forma para tentar descobrir quem fez isso com ela. Eu nem vou entrar no personagem de Jonathan Harker porque ele é, em todas as adaptações um grande banana tapado e sua única serventia é mostrar a fotografia de Mina ao vampirão apaixonado, ponto e é isso.

Nessa versão não aparecem as famosas noivas do Drácula, a trama foca especialmente no amor dele pela esposa durante os quatro séculos como vampiro. Entretanto Vlad tem ajudantes que o servem, seres mágicos em forma de gárgulas, ou seja, apesar de sozinho, ele não vive só.

Ao encontrar a imagem de sua amada reencarnada viaja para Londres, onde encontra sua pupila e serva, Maria que diz ter encontrado sua amada Princesa Elisabeta e cumprido sua missão! Nesse ponto temos a cena de reencontro apaixonada, me segurei para não gritar no cinema: ao ver Mina chegando com Maria, todas as pessoas ao redor somem, como se só existisse ela e imagens dela como Elisabeta surgem oscilando entre a atualidade e o passado. Nesse momento vemos um Vlad absorto e encantado, olhos marejados e sorriso apaixonado

Estupefato, eu diria! Eles se conhecem, passam tempo juntos e o clima de romance e reencontro permeia o ar. O clímax do filme é alcançado quando ele mostra uma caixinha de música e ela relembra memórias da sua outra vida e eles voltam ao castelo.

Porém, como é um conto trágico, vemos o desfecho do nosso casal sendo a disputa por manter Mina viva e matar Drácula, livrando a humanidade da praga vampírica. Todo o clima de: se você a ama a deixe viver sem amaldiçoá-la! Então, como em Romeo e Julieta, após pouco tempo juntos, nosso casal se separa através da morte.

Fico indignada? Sim, porque na minha mente eles mereciam uma eternidade juntos como vampiros! Não achei até então uma história assim (não vou citar crepúsculo) em que o amor vivido eternamente seria tão ruim quanto deixar sua amada livre da maldição. Muita abnegação e pouco amor apaixonado. Fico repetindo a frase: sempre um bando de homens recalcados achando que precisam salva a mocinha que escolheu viver sua aventura com um moreno, rico, gótico de hábitos duvidosos.

Na vida real, obviamente que essa obsessão é uma loucura, mas em um mundo onde a realidade é tão cruel, a ideia de um amor para toda a vida parece um bálsamo milagroso para todos os problemas. O famoso: e viveram felizes para sempre ainda é um ideal para muitas pessoas e um sonho inalcançável também.

Por esses e outros motivos que relutei demais para escrever, porque sou cadelinha de Drácula em qualquer adaptação existente (não me mostrem adaptações péssimas e duvidosas, agradecida). A Zoe Bleu (Mina), atriz que faz par romântico com o Caleb Landry Jones é quase um ser etérico, uma mistura de fada e elfa, belíssima e sua interpretação é de uma sutileza e sensualidade pincelada com inocência de tirar o fôlego! 
Vale cada minuto assistido, é como se o tempo parasse enquanto estamos presenciando o amor desses dois! O filme é uma mescla de drama com pinceladas de comédia, regado ao romance gótico obsessivo. Então, é isso. Super indico o filme, assistam e me contem depois!


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