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Drácula: A Love Tale (2025)

Escrito e dirigido por Luc Besson (de O quinto elemento, O profissional e outros), é um romance de fantasia gótica baseado no clássico livro de Bram Stoker, Drácula de 1897. Preciso dizer que relutei muito em escrever sobre esse filme, mesmo tendo adorado e chorado muito no cinema. Fiquei completamente hipnotizada e inebriada com tudo, a releitura do clássico, a linha do tempo, cenários, figurino, fotografia, trilha sonora e por aí vai. Sou uma amante de romances góticos, principalmente os de vampiro e criaturas noturnas. E, por esse motivo achei que escrever sobre o filme seria mero clichê de uma amante de filmes de vampiros (sim, eu li crepúsculo umas 3x e assisti todos os filmes da saga, me julguem).

Também sou apaixonada por dramas sem finais felizes, amores impossíveis e toda a estética de almas gêmeas que se encontram e se separam. Dito isso e vocês estando avisados que haverá muita rasgação de seda pelo filme, podemos prosseguir.

Aviso aos navegantes que por aqui trabalhamos com spoillers com fins de instigar você, caro leitor a apreciar as obras das quais indico!

O filme começa mostrando momentos mágicos e apaixonados de Vlad e sua espoa, Elisabeta em um clima quase como o de Sonhos de uma noite de verão. Ela é tudo para ele e ele é a vida dela (Berros internos, quem não deseja um homem apaixonadíssimo não é mesmo? Shiu, não fala nada sobre obsessão ser nocivo! Obrigada!), porém Vlad precisa ir para a guerra contra os Otomanos e daí por diante é só ladeira abaixo. Mas, teve uma cena que eu só entendi quando eu assisti umas entrevistas com os atores que é quando o Caleb (quem dá vida ao Vlad) diz: e tudo fica ainda mais intenso porque ela está grávida (gente, meme da bomba explodindo). Fiquei desolada e reassisti diversas vezes ao trecho do filme e realente os olhares dos dois se falam!

Blá blá blá ela morre nos braços dele em uma das cenas mais incríveis até então. Ele renega deus, se torna um vampiro e todo aquele desenrolar clássico de Drácula. Temos sim muitas coisas diferentes, outras visões que não foram exploradas em outras adaptações, como a de um Drácula que sofre de depressão e tenta se suicidar diversas vezes, roda o mundo em busca de reencontrar sua esposa que pode ter renascido após 100, 200, 300, 400 anos. Um Drácula perfumista, feiticeiro por assim dizes e extremamente obcecado em encontrar o grande amor da sua vida. Não necessariamente mau, mas desiludido com a futilidade da corte e entediado o suficiente ao ponto de não ligar para quem mata, se isso o fará chegar onde deseja: sua esposa.

Corta para Londres e Mina preocupada com sua amiga Maria que foi internada em um hospital psiquiátrico por ter surtado no casamento por causa de um padre (sorrisinho amarelo aqui gente), o Dr Van Helsing levanta a causa da loucura de Maria e uma equipe se forma para tentar descobrir quem fez isso com ela. Eu nem vou entrar no personagem de Jonathan Harker porque ele é, em todas as adaptações um grande banana tapado e sua única serventia é mostrar a fotografia de Mina ao vampirão apaixonado, ponto e é isso.

Nessa versão não aparecem as famosas noivas do Drácula, a trama foca especialmente no amor dele pela esposa durante os quatro séculos como vampiro. Entretanto Vlad tem ajudantes que o servem, seres mágicos em forma de gárgulas, ou seja, apesar de sozinho, ele não vive só.

Ao encontrar a imagem de sua amada reencarnada viaja para Londres, onde encontra sua pupila e serva, Maria que diz ter encontrado sua amada Princesa Elisabeta e cumprido sua missão! Nesse ponto temos a cena de reencontro apaixonada, me segurei para não gritar no cinema: ao ver Mina chegando com Maria, todas as pessoas ao redor somem, como se só existisse ela e imagens dela como Elisabeta surgem oscilando entre a atualidade e o passado. Nesse momento vemos um Vlad absorto e encantado, olhos marejados e sorriso apaixonado

Estupefato, eu diria! Eles se conhecem, passam tempo juntos e o clima de romance e reencontro permeia o ar. O clímax do filme é alcançado quando ele mostra uma caixinha de música e ela relembra memórias da sua outra vida e eles voltam ao castelo.

Porém, como é um conto trágico, vemos o desfecho do nosso casal sendo a disputa por manter Mina viva e matar Drácula, livrando a humanidade da praga vampírica. Todo o clima de: se você a ama a deixe viver sem amaldiçoá-la! Então, como em Romeo e Julieta, após pouco tempo juntos, nosso casal se separa através da morte.

Fico indignada? Sim, porque na minha mente eles mereciam uma eternidade juntos como vampiros! Não achei até então uma história assim (não vou citar crepúsculo) em que o amor vivido eternamente seria tão ruim quanto deixar sua amada livre da maldição. Muita abnegação e pouco amor apaixonado. Fico repetindo a frase: sempre um bando de homens recalcados achando que precisam salva a mocinha que escolheu viver sua aventura com um moreno, rico, gótico de hábitos duvidosos.

Na vida real, obviamente que essa obsessão é uma loucura, mas em um mundo onde a realidade é tão cruel, a ideia de um amor para toda a vida parece um bálsamo milagroso para todos os problemas. O famoso: e viveram felizes para sempre ainda é um ideal para muitas pessoas e um sonho inalcançável também.

Por esses e outros motivos que relutei demais para escrever, porque sou cadelinha de Drácula em qualquer adaptação existente (não me mostrem adaptações péssimas e duvidosas, agradecida). A Zoe Bleu (Mina), atriz que faz par romântico com o Caleb Landry Jones é quase um ser etérico, uma mistura de fada e elfa, belíssima e sua interpretação é de uma sutileza e sensualidade pincelada com inocência de tirar o fôlego! 
Vale cada minuto assistido, é como se o tempo parasse enquanto estamos presenciando o amor desses dois! O filme é uma mescla de drama com pinceladas de comédia, regado ao romance gótico obsessivo. Então, é isso. Super indico o filme, assistam e me contem depois!


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Nosferatu e a intuição feminina silenciada

Levei uma semana para digerir a visceralidade da obra de Robert Eggers. São tantas camadas subjetivas e históricas que não sabia por onde começar. Vou introduzir alguns pontos dos principais que me marcaram, para além do óbvio: figurino e fotografia impecáveis.

Primeiro ponto, a visão da mulher na sociedade e papéis de gênero. Segundo, sexualidade. Terceiro, ancestralidade feminina. Quarto, e acredito, último, mitologia e superstição.

A primeira coisa que mais me marcou no filme foram os papéis de gênero e a solidão feminina vivida por Ellen, uma mulher recém casada que implora para o marido, Thomas não viajar. Thomas, por sua vez acredita que fazendo esse trabalho, daria condições de vida muito melhores para a esposa, mesmo não sendo o desejo dela. Ele, muito inseguro da sua atitude, ainda assim, embarca nessa viagem confusa em busca da recompensa financeira, acreditando ser o dever dele prover financeiramente a companheira que só desejava seu amor e proximidade. Ele viaja, querendo acreditar na intuição da mulher, mas, prefere assumir que são devaneios da esposa doente e emocionalmente instável.

Já perceberam que as mulheres sempre são taxadas de loucas, instáveis, histéricas e fantasiosas? Ellen, ao longo do filme se mostra sexualmente ativa e desejosa, sensível ao seu ambiente e as percepções mediúnicas que a envolvem. Em toda a internet circularam memes com o tema “Nosferatu é um filme sobre um calvo bigodudo e uma mulher com tesão”, o que não deixa de ser verdade. Historicamente sabemos que a histeria era curada com sessões de tortura e, posteriormente, com masturbação. As mulheres enlouqueciam pelo desejo de serem úteis, ouvidas, amadas, validadas e desejadas sexualmente. A libido era um pecado, era suja e era abafada com regras de moral e bons costumes. Estar viva e desejosa de algo era sinônimo de pecado e de uma alma volátil.

Nesse contexto faço o gancho com a ancestralidade feminina, quem éramos antes do patriarcado e a memória das sacerdotisas, bruxas, videntes e curandeiras. Ellen foi maltratada, sangrada e amarrada por um médico e mesmo assim seus surtos não foram contidos, tinham hora e duração marcada no relógio. O Dr. Von Franz descobre que ela estava possuída e consegue resolver o mistério por traz das convulsões. O mais engraçado é que são sempre as mulheres as possuídas nos textos e filmes, não é estranho? O enredo se desenrola em torno da busca de como matar o demônio que a possuía e que, agora, com a chegada de Orlok na cidade, toda a população sendo atacada pela praga. Thomas de volta, fraco e sob o efeito do Conde Orlok, também vulnerável sexualmente, já que a possessão dele não foi apenas sugando seu sangue. A confusão se instaura, porém ninguém da ouvidos à Ellen, cujo Dr. Von Franz elogia dizendo que “em outros tempos ela seria uma sacerdotisa de Isis”. Ou seja, ele vê Ellen com todas suas nuances mediúnicas, toda sua carga ancestral e visceral pulsando e diretamente conectada com a peste trazida pelo Conde.

Ellen sabe que, como uma sacerdotisa, como a maior fraqueza de Orlok (cujo ela mesma invocou, mesmo não sendo abordado na trama), ela deve se sacrificar para salvar à todos. Ellen carrega em si a sabedoria ancestral, está nela o poder da vida e da morte. Como deusas antigas, bruxas, curandeiras e feiticeiras. Somente ela pode amansar a fera e contê-la. Sendo, talvez, Orlok uma parte animal dela mesma, uma figura para representar seus traumas, seus medos e angústias. Ao invoca-lo, ela se torna segura e menos solitária, porém ao conhecer o marido, Thomas, tudo desaparece, as crises, os tormentos, as explosões de tesão e êxtase promovidas pelo Conde. O marido, representa um antídoto terreno para sua sensibilidade mediúnica.

Em Nosferatu, Conde Orlok e sua terra natal são repletas de superstições, magia e significados ocultos. Magia, pactos, dominações, rituais e possessões fazem parte da trama. O diretor resgata crenças antigas e costumes em um clima envolvente de mistério e, de leve terror. A incredulidade dos personagens burgueses e intelectuais contrastando com os camponeses tementes e cautelosos representa muito bem as culturas patriarcais e matrifocais. Em que no patriarcado a força e o intelecto são valorizados, enquanto abominam a conexão ancestral com a terra e suas emoções, sensações e intuições. Dito isso, acredito que o desfecho ao filme foi bem colocado, quando na cena final, também de fotografia e figurino impecável, Ellen se doa para Orlok em forma de saciar seu desejo obscuro e salvar o amado marido. Ela se entrega a sua natureza, profunda, sensível e obscura e mergulha com fé de que tudo que ela fez será perdoado através do seu sacrifício, afinal, ela se mostra sim, uma grande sacerdotisa.


Ellen representa, pra mim, a mulher indomável, a mulher subjugada e silenciada, mas que mesmo assim segue vivendo como acredita, com seus desejos, sonhos e pressentimentos. Ellen é uma memória ancestral e nos lembra que jamais devemos nos calar.

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A 'Cadela da Noite' - Nightbitch (2024) e a visceralidade da mulher-mãe

Canina (Nightbitch, 2024, escrito e dirigido por Marielle Heller, baseado no romance de 2021 de Rachel Yoder), foi o filme mais visceral que assisti nos últimos tempos. Uma obra que explora a maternidade e a essência feminina para além do básico. Já assisti diversos filmes que abordam o tema, mas esse enredo fantástico, que beira a loucura expressa tudo que nós mulheres no puerpério vivemos e sentimos.

Amy Adams, encarna lindamente a personagem principal, que é referida apenas como “mãe”, o que me leva a pensar em quantas vezes nós, mulheres, nos sentimos apenas mães. Uma fábrica de colo, leite, sangue e suor. Cuidadoras em tempo integral dos filhos e maridos, sem tempo para um banho, comer sem interrupção, muito menos para ler um livro. Ou o quanto nos sentimos burras e desinteressantes durante toda a gestação e tudo, absolutamente tudo, gira em torno de roupas, fraldas e o desenvolvimento daquele micro ser humano dentro de nós.

Uma das falas que descrevem esse processo é quando ela desabafa com o marido, referido como “pai”, o quão difícil era o cuidado, porque “era como se ela estivesse cuidando de um suicida”, e sabemos que à todo o instante, acidentes acontecem com crianças pequenas. Ela interpreta muito bem a sensação de esgotamento, frustração e o modus operandi materno, sempre em alerta aos perigos.

A sua reclusão em relação as outras mães por se achar péssima, sem paciência e sem ludicidade, ilustram as vidas de muitas mulheres. Nos sentimos solitárias, buscamos um ideal de criação que não existe, vendido por grandes industrias, influenciadores, médicos e terapeutas. Nos esquecemos dos nossos instintos, e não estou falando sobre instinto materno, mas de instinto humano, de seguirmos nossa natureza única e individual. Esquecemos que não nascemos com fórmulas ou manuais, porém desejamos incansavelmente de um roteiro para nossas vidas. Roteiros esses que são uma falsa ideia de segurança e estabilidade irreal.

Amy, como mãe, nos mostra através do olhar de si própria, em uma metamorfose animalesca, como o resgate da nossa essência é fundamental ao final do puerpério e como o resgate da mulher selvagem em si é um processo doloroso e cheio de rupturas. A mãe, se separa do pai nessa busca por si mesma, se permite ter seu tempo sozinha e anseia por ele. Faz uso desse espaço-tempo para criar e romper a crisálida que a prendia. E, com isso, seu tempo com o filho muda, ele se torna agradável, ela brinca, ri com o caos, descobre formas de viver diferentes, que funcionam, que saem da caixa e a deixam feliz. Ela se torna uma mãe melhor quando dedica um tempo à si, para a mulher-mãe.

Ao se dar conta de que “somos deusas, nós criamos ossos, pele e órgãos dentro de nós” ela, a mãe, se liberta da ideia de inferioridade feminina e materna que tinha sobre si e sobre as outras. Ela encontra, ao se abrir, um grupo de mulheres que são seu suporte nessa busca animalesca pela liberdade e o reencontro com faces perdidas.

Para além da alegoria mulher-fera, o filme aborda a relação do casal, mãe-pai e suas demandas de cuidado injustas com o filho. A falta de comprometimento de um pai que trabalha fora e não consegue ser funcional dentro da própria casa, que culpa e responsabiliza a parceira por esquecer de comprar o leite ou de deixar de ser a pessoa com a qual ele se casou.

Eu poderia passar horas escrevendo sobre o filme, unindo arquétipos e leituras como ‘Mulheres que correm com os lobos’, de Clarissa Pinkola Estés, ‘Mulheres, mitos e deusas’ da Martha Robles ou ‘As deusas e a mulher’ de Jean Shinoda Bolen, mas vou me limitar a dizer: assistam. Mulheres, mães ou não, homens, pais ou não, pessoas, apenas assistam. Para entender mães, porque, afinal, viemos de uma mãe, nos relacionamos com mães, e o mundo só é mundo por causa de mães. Insisto, assistam.

Finalizo dizendo que, assistiria mil vezes, porque Canina não me arrancou lágrimas, Canina me abraçou e disse “tudo bem, eu estou aqui, todas nós passamos por isso e tu não está só, eu sinto a tua dor”. Canina é um grito que vem das entranhas e ecoa no espaço, é sobre parir a si mesma, é sobre reencontrar-se.

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'A Filha Perdida' e os desafios da maternidade


É incrível como nossa visão e gostos mudam ao passar dos anos. Li A filha perdida em agosto de 2017, por causa de um evento da UFRGS, o Leia mulheres POA, e acredito fortemente, que se não fosse por isso não seria meu objeto de leitura na época. Quando li, achei a personagem principal meio desequilibrada emocionalmente, talvez até uma feminista 'tardia', que abdica da maternidade para viver sua vida. 

O livro não me marcou profundamente, mas marcou. Comprei e ganhei mais alguns livros da autora (que acabei não finalizando por conta das coisas da vida), mas sua escrita sim, profunda e sentimental, diria até, intensa. A narrativa em si se perdeu na minha mente, só lembrava dos conflitos internos de Leda, a protagonista, mas não de todo o enrredo. 


Ao assistir o filme na Netflix, em um momento de crise materna, diga-se de passagem, foi chocante como a tradução das palavras em imagens ficaram perfeitas. Apesar de não lembrar muito do livro, o filme me traduziu diversos sentimentos de exaustão, de angústia, de insatisfação que a maternidade traz. E não importa o quão bem resolvida tu esteja, a maternidade irá remexer fundo em diversos nichos da tua vida. 

Hoje, em meio ao surto de exaustão física e emocional que pus a endagar sobre algumas coisas, como: será que eu não amo mais meu companheiro? será que eu seria muito merda se eu sumisse, assim, por um tempo, sozinha? às vezes eu queria dar uma morridinha, só um pouquinho, pra descansar... será que se eu deixar ela chorando assim, ela fica "bem" pra eu tomar um banho? eu não sei mais o que eu faço pra esse guri parar, será que eu estou errando na educação dele? 

Entre outras...

É assustador como a mente cansada e exaurida busca se livrar da tormenta, e quando o cansaço vai embora nos damos conta do que se passou, e como absurdo é tudo que pensamos. Com isso, sinto uma imensa empatia em relação a Leda, apesar achar bastante drástico tudo que ela fez na vida dela. Infelizmente, são escolhas, ela decidiu investir na vida dela e se afastar das filhas. E, claramente alí, ela tem um complexo de 'criança ferida' pelo incidente com a boneca. Talvez, até suas próprias questões com as filhas e o arrependimento de não ter as criado.

Também consegui enxergar alguns processos pessoais meus através de Nina e sua filha, sua relação com a família e a falta de validação que vinha dos demais. A maternidade é sempre um espaço 'público' em que todos se acham no direito de julgar, manter e se meter. 

Muitos 'enfins' para finalizar esse texto. Deixo aqui minha reflexão, opinião e desabafo. E a pergunta: já leu/assistiu? 

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Resenha: Grandes Olhos - Margaret Keane


Escolhi assistir no ultimo domingo e chorei, me debati aqui dentro e decidi que jamais abdicaria da minha expressão criativa após assistir essa trama tão intrigante!


Lançamento 2015 (1h 47min)Direção: Tim Burton
Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz, Danny Huston mais
Gêneros Biografia, Comédia , Drama
Nacionalidades EUA, Canadá
A história real por trás de Grandes Olhos é extraordinária: Margaret Ulbrich é uma pintora insegura, mãe solteira, até descobrir o carismático Walter Keane e se casar. Ela cria obras populares de crianças com grandes olhos, mas Walter passa a assumir publicamente a autoria das obras, com a conivência da esposa. Dez anos mais tarde, ela decide processá-lo na justiça para retomar o direito de seus próprios quadros. Mas como todos teriam acreditado nessa farsa durante tanto tempo? Por que Margaret teria se deixado levar pelo esquema? 

Resenha:


Durante 10 anos Margaret deixa que seu marido Walter Keane se passasse por autor de seus obras, os belos "Grandes Olhos", quadros de crianças muito tristes ou de olhar marcante, com olhos em realce. Esses quadros seriam a expressão da arte de Margaret, seus filhos, um pedaço de si, sua identidade. 

No filme vemos a grande agonia da protagonista, que além de ter que mentir, não podia permitir que ninguém soubesse que era ela, uma mulher, a artista por traz dos quadros mais vendidos do mundo. Vemos também um retrato de relacionamentos abusivos que as mulheres viviam há não muito tempo atrás e ainda hoje. Ele a fez acreditar que ninguém compraria se soubessem que eram feitos por uma mulher, a menosprezava, diminuía, e jogava a culpa de uma baixa nas vendas nela.

Estava lendo Um Teto Todo Seu, da Virginia Woolf e é bem isso, as obras das mulheres são sujeitas a risos e pena. Não somos de fato talentosas, porque, afinal, não somos homens. E numa cultura feita por homens e para homens não há espaço para mulheres.

É um filme sobre superação, sobre empoderamento, sobre o basta dos relacionamentos tóxicos e da independência de uma mulher quando nem se era possível uma separação sem que a mulher passasse fome.
Imagem real
Margaret ainda pinta, mesmo idosa. Seu marido morreu pobre. Ela é um simbolo de resistência e resiliência. Indico esse filme pra quem ama arte e biografias feministas.
Além disso é uma lição de vida: Nada nem ninguém pode parar o fogo que temos no peito e a força criadora que temos nas mãos, portanto, jamais deixe alguém diminuir você, nem por um segundo.

Ps: Tem na Netflix! 


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Resenha: A Química - Stephenie Meyer


Esse é o livro que eu escolhi para o Desafio Literário do mês de Maio. Deveria ser um livro que falasse de profissões ou que tivesse uma citada nele. Como eu já tinha adquirido o livro foi bem fácil encaixar. Embora eu tenha tido certo preconceito com ele a princípio, quando eu passei do primeiro capítulo já estava apaixonada e sem volta. Sabia que seria um daqueles livros que eu iria sentir falta e querer ser o próximo logo. 

Informações:

(Skoob)
Ano: 2016
Páginas: 496
Editora: Intrínseca
Avaliação: ★★★★★❤ 
Resenha Skoob: Ela trabalhava para o governo americano, mas poucas pessoas sabiam disso. Especialista em seu campo de atuação, era um dos segredos mais bem guardados de uma agência tão clandestina que nem sequer tinha nome. E quando perceberam que ela poderia ser um problema, passam a persegui-la. A única pessoa em quem ela confiava foi assassinada. Ela sabe demais, e eles a querem morta. Agora ela raramente fica em um mesmo lugar ou usa o mesmo nome por muito tempo.
Até que um antigo mentor lhe oferece uma saída — uma oportunidade de deixar de ser o alvo da vez. Será preciso aceitar um último trabalho, e a única informação que ela recebe a esse respeito só torna sua situação ainda mais perigosa. Ela decide enfrentar a ameaça e se prepara para a pior batalha de sua vida, mas uma paixão inesperada parece diminuir ainda mais suas chances de sobreviver. Enquanto vê suas escolhas se evaporarem rapidamente, ela vai usar seus talentos como nunca imaginou.
Uma trama repleta de tensão, na qual Meyer cria uma heroína poderosa e fascinante, com habilidades diferentes de todas as outras, e prova mais uma vez por que seus livros estão entre os mais vendidos do mundo.
• Stephenie Meyer consolidou-se como uma das autoras mais vendáveis dos últimos tempos com a série best-seller Crepúsculo. Seus livros somam mais de 155 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, 7 milhões apenas no Brasil.
• A química é o primeiro lançamento inteiramente inédito da autora em seis anos, um thriller diferente de tudo o que ela já publicou.
Resenha:

Juliana Fortis (este é o nome verdadeiro da personagem) é médica e trabalhava para o governo em uma divisão secreta de informações e desarmamento de armas químicas e biológicas. Tudo estava indo bem até que tentam matá-la, não uma, mas várias vezes. Ela troca de identidade diversas vezes durante a narrativa e muda fisicamente, ela é um camaleão. Durante todo o livro ela será chamada de Alex. Seu antigo "parceiro" de divisão, Carston, um agente de polícia aparentemente relax, a contata para "fazer as pazes" e ela vai ao seu encontro disfarçada, ele lhe entrega os dados de uma pessoa da qual ela deverá interrogar e torturar sem deixar marcas, Daniel Nebecker Beach. Aparentemente ele está envolvido com a comercialização e distribuição de um mega vírus que poderia dizimar toda a população.

Ok, aí é que começa a ficar realmente interessante, ela sequestra Daniel enquanto ele está indo trabalhar, o dopa, leva-o para uma propriedade afastada da cidade e monta uma tenda que isola toda e qualquer luz do lugar. Ele está nu e amarrado a uma mesa, com uma sonda intravenosa e ela usa de suas substâncias capazes de fazer qualquer um falar, mas Daniel não parece ser culpado, e ela não está entendendo absolutamente nada até que outra pessoa fura o telhado e invade o local, surra ela e bem, há uma longa luta que Alex ganha com sua inteligência, não força física.

Ok, vou usar gifs do Crepúsculo porque é da mesma autora e vai ser engraçado!
O homem que invadiu é o mesmo das fotos dos arquivos que Carston lhe deu. Só que o que ela não sabia era que, o irmão de Daniel, Kevin que supostamente estava morto, era o cara das fotos e não Daniel, e que isso foi uma armadilha para acabar com duas pessoas importantes e perigosas de uma vez só usando seu irmão como isca. 

Nisso eles passam o maior perrengue pra lá e pra cá, matando assassinos contratados e entre isso, Alex e Daniel se apaixonam e rolam altos momentos amorzinhos dele cozinhando pra ela e de sexo, contato físico e o mais incrível, ele não tem medo dela por ela ter torturado ele e ser a famosa "mulher veneno". Devo dizer que fiquei bem animada com a escrita da autora sobre esses momentos, já que ela consegue te deixar imaginando coisas sem nem ao menos ter de fato escrito sobre. 

Então, resumindo: Muito nu, muito sexo, muito sangue e tortura e, olha, eu nunca achei que haveria tanta paranoia numa pessoa quanto nessa protagonista! Ela não deixa nada, absolutamente nada passar. Uma ligação estranha e ela já corta o chip, joga o celular fora e sai de fininho loucamente pra ninguém perceber nada!


Como bom final de trama, ela, Kevin e Daniel (eu esqueci de falar que o Kevin cria cães treinados e um deles é o Einsten, um pastor super mal encarado), conseguem descobrir quem está por traz de tudo (e é um político filho da puta), matam todos e assumem novas identidades bem simplistas. E tudo acaba por aí.

Só que eu não queria que tivesse acabado. Por que? PORQUE EU REALMENTE AMEI O LIVRO E TODA A HISTÓRIA!   Fiquei muito chateada na verdade, pela Stephenie não ter desbravado mais no Epílogo, e se ela pudesse e se eu pudesse ditar algo, acho que conversaria com ela pra não parar por ai!


Bem, essa é a resenha de hoje! Espero que tenham gostado, espero que vocês possam ler A Química.

Ps: Adorei usar Jaboc como cobaia de hoje!

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Resenha: Eragon - Christopher Paolini


Eragon foi o livro escolhido pro mês de abril do Desafio Literário do qual estou participando e talvez vocês já saibam. Atrasei a leitura, terminei ela em junho por causa dos estresses ocasionais da faculdade e da crise de ansiedade, e atrasei mais ainda pra escrever essa resenha, espero que me perdoem.
O tema de Abril era Mártir ou Herói: Temos nesse mês dois feriados de mártir, Páscoa e Dia de Tiradentes então a proposta é ler um livro que tenha algum herói ou mártir, aquele personagem abnegado, que fez o que podia pelos demais!

Sendo um livro que eu já tinha e que queria muito ler, não exitei em colocá-lo na lista do desafio. Ele é totalmente diferente do filme, que não faz jus à grandeza do livro. Recomendo!

Informações: 

Eragon
Ciclo da Herança # 1
Christopher Paolini
Ano: 2003
Páginas: 460
Editora: Rocco
Avaliação: ★★★★★
Snopse Skoob: Eragon é o romance de estréia de Christopher Paolini, uma história repleta de ação, locais fantásticos e perigosos vilões. Com dragões e elfos, cavaleiros, lutas de espadas, inesperadas revelações e, claro, uma linda donzela que é muito bem capaz de cuidar de si própria. O protagonista, de quinze anos, é um pacato rapaz do campo, que ao encontrar na floresta uma pedra azul polida, se vê da noite para o dia no meio de uma disputa pelo poder do Império, na qual ele é peça principal.

Resenha:

Tudo começa com o garoto comum, com suas neuroses comuns e vida comum. Até que em outro lugar o mapa uma elfa está fugindo de espectros e monstros na tentativa de salvar um ovo de dragão do qual o império quer pôr as mãos novamente.
Eragon encontra o ovo, que ele acha ser uma pedra em uma caçada pelas montanhas chamada de A Espinha.

Nesse momento Eragon tenta vender a “pedra” de qualquer maneira sem sucesso, e é quando desperta o interesse de Brom, um velho contador de histórias muito misterioso. Eragon se surpreende quando a “pedra” cai no chão e de lá sai um dragão, ele tenta alimentá-lo mas acaba percebendo que o filhote é mais independente do que ele poderia imaginar, é quando ele faz um abrigo na floresta para a pequena Safira. Numa dessas saídas para cuidar do filhote é que a casa de Eragon é queimada e seu tio morto. Nisso ele sai em uma caçada com Safira e Brom, que o salva e o ajuda a fugir de Carvahall. Eles percorrem cidades e desertos atrás dos assassinos do rei, os Ra’zac.

Nisso sofrem emboscadas, Eragon aprende a usar magia, a lutar, e deixa de ser um menino franzino e passa a ser um homem, um guerreiro. Encontram aliados como um menino gato, mágico e especial, e uma mulher mística e bruxa que lê eu futuro e diz que ele está destinado a grandes feitos e que a mulher de sua vida será tão bela e especial quanto seu amor.

Como no filme, Brom morre e ele se alia a um estranho chamado Murtagh, que logo depois acabam por descobrir ser o filho do renegado que matou a maioria dos cavaleiros de dragão.

Eles se encontram com os Varden, ajudam a proteger a montanha fortaleza de ogros descomunais e em um momento entre a vida e a morte ele se vê com um ancião que lhe mostra coisas que ele deve aprender. Quando ele acorda coloca essa meta de ir para a fortaleza élfica e aprender mais sobre o que ele é e o que veio fazer.

Pra vocês já deve ser manjado o livro por causa do filme, mas indico totalmente porque É TOTALMENTE DIFERENTE E VALE A PENA LER!!!!

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Resenha: O garoto dos meus sonhos - Lucy Keating


Primeiramente gostaria de dizer que esperava mais do livro. Acredito que a capa me enganou um pouco, até minha mãe concordou que a capa era linda e muito atrativa. Basicamente, fui enganada por uma capa bonita e um prefácio diluído em qualquer fantasia adolescente do garoto dos seus sonhos. 

Informações:


Ano: 2016
Páginas: 264
Editora: Globo Alt
Avaliação: ★★★Sinopse Skoob: Desde quando consegue se lembrar, Alice tem sonhado com Max. Juntos eles viajaram o mundo, passearam em elefantes cor-de-rosa, fizeram guerra de biscoitos no Metropolitan Museum of Art... e acabaram se apaixonando. Max é o garoto dos sonhos – e somente dos sonhos – até o dia em que Alice o vê, surpreendentemente, na vida real. Mas ele não faz ideia de quem ela é... Ou faz? Enquanto começam a se conhecer, Alice percebe que o Max dos Sonhos em nada se parece com o Max Real. Ele é complicado e teimoso, além de ter uma namorada e uma vida inteira da qual Alice não faz parte. Quando coisas fantásticas dos sonhos começam estranhamente a aparecer na vida real – como pavões gigantes que falam, folhas de outono cor-de-rosa incandescente, e constelações de estrelas coloridas –, Alice e Max precisam tomar a difícil decisão de fazer isso tudo parar. Mesmo que os sonhos sejam mais encantadores que a realidade, seria realmente bom viver neles para sempre?
Resenha

Desde que Alice pode se lembrar ela sonha com Max, só que ela acha que ele é fruto de sua imaginação, porém ao se mudar e entrar na nova escola acaba por perceber que o Max dos seus sonhos é totalmente real!

Entorno dessa trama de sonhos vão se desenvolvendo histórias paralelas,como a dela e do pai, a relação com a mãe que a deixou quando era pequena demais, e seus traumas. O livro fala basicamente de traumas de infância que não foram superado se a relação dela e do Max nos sonhos não passou de um objeto de transição, que é quando você precisa de algo ou alguém para lhe ajudar a superar aquele momento difícil, porém eles nunca superaram e se agarraram um ao outro nos seus sonhos para manter aquele pouquinho de sanidade dentro de si.

Achei bem vago como o tema sono e neurociências foi abordado, também de como eles saíram dessa: eles sonham, Max se afasta, e é isso. Eles acordam e estão parando de sonhar um com o outro.

Como todo livro voltado para o público adolescente os adultos são vagos, chatos e até bobos. Porque os adolescentes são muito espertos, o que me faz lembrar que eu não saía para ter altas aventuras na adolescência e nem desconfiava de diversas coisas. Mas, enfim, é um bom livro, cheio de meiguice e romance, isso não pode faltar, porém é tudo muito sutil. Você não vai encontrar grandes e ardentes beijos, tampouco cenas de sexo/primeira vez cheias de detalhes. Seria uma boa comparar com amanhecer, da saga crepúsculo. Lua de mel de bela e Edgard. Basicamente isso.

Porém, apesar de o assunto neurociências ser bem vago foi muito lindo ver um pouco do que ele estudo no meu trabalho na faculdade ser abordado em um livro de literatura. Neurociências e psicologia, minhas paixões acadêmicas!

Espero que não tenha sido uma resenha muito ruim e destruído a expectativa das pessoas sobre o livro, acho que vale a pena ler, é um livro leve, com paixões adolescentes é uma trama bem maluca e inesperada, entretanto não é um livro tão profundo, apenas isso.

Enfim, espero que tenham gostado, leiam sempre que possível e mesmo que seja impossível. Até logo!
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Resenha: Sway - Kat Spears


Agora são exatamente três horas da manhã e eu deveria estar indo dormir, mas nada metal pregar os olhos. Nenhuma conversa é interessante o suficiente para me manter atenta por muito tempo. Com isso resolvi escrever sobre esse livro que me fisgou de uma maneira enlouquecedora. Sway foi pra mim como um primeiro beijo: inesquecível. E, não venham me dizer que o primeiro beijo de vocês não foi, porque por pior que ele tenha sido, pro pior que a pessoa tenha te tratado depois, a sensação de dormência, a falta de ar, a palpitação, ela sempre fica. Sempre. E a gente vai tentar repetir essas sensações diversas vezes na vida posteriormente e nunca será a mesma coisa. Chega um ponto que até fica chato, porque nada se iguala aquilo. 

Sway é o livro escolhido para o Desafio Literário do Mês de Julho, ele representa o mês da amizade, porque, quando eu comprei ele achei que se tratava de uma história de amor, mas no fim ele fala sobre amizade, companheirismo, lealdade e sobre fazer de tudo para cuidar dos amigos.

Informações:

Sway - Kat Spears


Ano: 2016
Páginas: 256
Editora: Globo Alt
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Skoob: Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida.
Resenha: 

Jesse é o típico cara que consegue tudo para todos que o pagarem bem. E ele não tem problemas nisso, esse é exatamente o problema: ele não liga, só se acostumou. Acho que ele entrou num piloto automático e quando se deu conta que era bom naquilo foi cada vez mais fundo até não poder mais sair. Mas é aí que tudo muda. Quando o bar boy master que se faz de bonzinho, contrata ele pra conseguir a garota mais gente boa e doce da escola, e Jesse/Sway se apaixona por ela, é quando começa seu dilema. 

Ele e Bridget ficam amigos, Jesse acaba descobrindo toda a vida dela, fica amigo do irmão com deficiência, dos outros amigos dela e de um senhor em uma casa para idosos que não tinha nada a ver com a história. Eu escolhi esse livro pro desafio literário justamente por falar do valor das amizades. Jesse tem uma amiga, Joey que passa por umas barras bem pesadas durante a trama, e ele faz o que está além do seu alcance para mantê-la segura. 

Ele é o tipo de cara que toda garota do ensino médio se apaixonaria sem nem ao menos conhecer, se conhecesse haveria uma chance de se afastar, mas haveria aquela pequena porcentagem que iria querer saber até onde o seu lado ruim seria capaz de ir. Como todo romance adolescente clichê, ele é salvo pela garota, ela acaba o “mudando”, mas acho que ela mais “mostra a luz no fim do túnel” pra ele, do que realmente o muda. 

Jesse é um cara inteligentemente medida, interessante, gosta de musicas antigas e caros igualmente particulares. Embora estrague consideravelmente o fato de ele ser/trabalhar para traficantes de drogas bem pesadinhas e conseguir umas paradas bem punks. Mas, afinal, eu sempre tive uma queda por caras do tipo bad boy “na dele” como Sway

Nesse livro tem cada roubada que eu me pergunto, onde estão os pais desse adolescentes americanos de romances adolescentes? Porque, com dezesseis anos eu mal saia de casa sem minha mãe saber onde eu ia e com quem. E nos livros eles fazem a festa, viajam, conseguem carteiras de identidade falsas, drogas, bebidas, altos rolês perigosos e nada, absolutamente nada acontece. 
No mais, Sway é viciante como cada tragada de um cigarro qualquer. Doce e amargo, que provavelmente vai te matar psicologicamente, mas te mantém loucamente excitada e pedindo mais.
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Resenha: Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur


Estou há meia hora olhando para essa tela em busca de palavras para descrever a sensação que é ler este livro. Milk and Honey, da Rupi Kaur é um livro sensacional! Eu li todas as vezes chorando e sempre que vou emprestar ele para alguém acabo lendo mais uma vez, e chorando, é claro. 

A primeira vez que eu soube desse livro foi no canal da Jout Jout, ela leu diversas poesias dele e eu fiquei com gostinho de quero mais na boca. Depois a minha linda Bruna Morgan escreveu uma resenha sobre e eu fiquei gritando desesperadamente. Até que mês passado eu consegui comprar em uma oferta relâmpago na Amazon. 

(link do skoob)
Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
Ano: 2017
Páginas: 208
Editora: Planeta Brasil
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Skoob: 'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.
O vídeo da Jout Jout


Resenha

Esse não é um daqueles livros que você compra pra se divertir. Ele é sofrido. Ele corta. Ele faz doer até mesmo onde você achava que não seria possível sentir algo. Cada palavra, cada verso é ensopado de sentimentos que a maioria das mulheres já sentiu ou presenciou. O abandono, a agressão, o abuso, a dor, a ilusão, a raiva, o amor, a descoberta do amor próprio, e diversos outros. 

Eu pude, pela primeira vez em toda a minha vida, me ver naqueles poemas que não foram feitos por mim, porque foram justamente feitos por uma mulher de verdade, que sofreu de verdade, que passou tudo que passou de verdade, e ela veio nos dizer o quão fantásticas nós somos e que não devemos nos deixar ser maltratadas por pessoas que não sabem entrar pela porta da frente e sentar no sofá como uma boa visita.

Aqui estão alguns de muitos (todos) os poemas que me tocaram profundamente.








Esse vídeo também é fantástico!


Enfim, não há mais o que falar, já que as palavras da Rupi falam por si só! 


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Resenha: Documentário Cidades Fantasmas


Primeiramente, estava com saudades de escrever aqui. Mas as coisas andaram difíceis e, bem, vocês sabem, final de semestre, recuperação pós crises de ansiedade etc. Porém, hoje não vim falar das minhas tristezas, mas de uma alegria. Finalmente consegui assistir o Doc de um GRANDE amigo meu (ele não é grande, na verdade é... enfim, deixa assim) Guilherme Soares Zanella. Apesar dos problemas que aconteceram que quase me fizeram não ir assistir consegui vencer o receio e fui! 

O Guilherme é um dos roteiristas de Cidades Fantasmas que venceu a competição brasileira de longas e médias-metragens da 22ª edição do festival É Tudo Verdade em abril. Na época eu não pude ir por motivos de provas na faculdade. O doc foi pro cinema há algumas semanas, mas somente na ultima (essa) que deu pra eu (finalmente) ver.

Informações:
Data de lançamento: 15 de junho de 2017 (1h 10min)
Direção: Tyrell Spencer
Elenco: atores desconhecidos
Gênero Documentário
Nacionalidade Brasil
Avaliação: ★★★★★


O documentário retrata quatro cidades que ficaram abandonadas com o passar do tempo. Deserto chileno, Amazônia brasileira, Andes colombianos e Pampa argentino. Um dos lugares é Fordlândia no Pará, espaço criado por Henry Ford, durante o auge do ciclo da borracha que atualmente está ocupado por pessoas que cuidam da historicidade do lugar.

Humberstone (Chile) abre o doc, o deserto, a narrativa triste e simples. A pobreza nua e crua choca logo de primeira, é impactante. Mal conseguia permanecer sentada na poltrona daquela sala escura. Me causou inquietação. Algo me corroía por dentro como o tempo tratava de corroer as paredes daquelas casas, das vilas, do antigo maquinário. As fotografias antigas dos trabalhadores e de suas famílias retratavam a precaridade da vida naquele lugar tão sem vida. Me recordaram os relatos da infância de meu pai, o passar necessidade, as longas jornadas de trabalho, crianças com uma curta infância. 

Fordlândia (Brasil) do deserto para o meio da mata. Também banhado em precaridade, as fotografias dos trabalhadores ressoava da dos americanos que comandavam a extração de borracha. Os relatos da rigidez do trabalho, a fala arrastada e cansada dos senhores que viveram aquela época. Também da luta que é fazer desse lugar um marco histórico de uma época que só a presença dos americanos fazia do lugar uma vila mágica. As casas com varanda que remetem uma época de ouro pós guerra. Lembro que um senhor se perguntava da bandeira Americana que ficava acima da caixa d'água, ele lembrava com nostalgia dela. 

Armero (Colômbia) a tragédia em Armero me tocou de tal forma que é como se em outra vida estivesse acontecido algo muito parecido comigo. A cidade foi soterrada por lama após a erupção do vulcão Nevado del Ruiz.  Os relatos de mães que perderam seus filhos, o sentimento de abandono, de vazio de uma cidade que era feliz, alegre e viva! Sou suspeita para falar porque tive a honra de conviver um semestre com uma colega da Colômbia (Sara, saudades), e mesmo na tristeza ela se mostrava alegre. O drama de Armero vai muito além da erupção, pois o governo sabia e não lhes disse nada. No ar pairava indignação e uma raiva banhada a lágrimas por entes queridos que jamais serão vistos novamente. A avalanche de lama veio e levou a alegria do lugar e dos seus habitantes. 

Epecuén (Argentina) apesar de ser a cidade que me pareceu menos viva e mais arrasada, Epecuén me tocou de uma forma menos incisiva. Ela era uma cidade resort, alegre e festiva. O lago era famoso pela sua salinidade que fazia as pessoas flutuarem, muitas delas eram curadas pelas qualidades medicinais das águas. Tudo que arrecadavam com o turismo os mantinha no resto do ano, porém quando a seca estava por vir uma barragem se rompeu e inundou a cidade, tirando dela sua graça. Um dos moradores disse que parece que quando a água veio o sol se foi. Entretanto atualmente um senhor mora na cidade, com sua bicicleta e seus cachorros. Alguns o chamam de louco, mas ele me parece ser o louco mais lúcido que vi em toda a minha vida.


Acredito que o documentário mostre a face da insanidade em cada um, envoltos nas memórias do passado, nostalgia e tristeza pela devastação que cada perda os causou. Digo com propriedade, pois sou uma dessas pessoas que se apaixonam por histórias tristes e trágicas. Tanto que sai da sala de cinema embasbacada, lembro que olhei para o meu amigo e ele perguntou "e ai, que achou?" e eu disse pausadamente "U - A -U !!!". Pensei muito em como seria minha crítica, mas vejo que não consigo fazer uma. Me sinto submersa na imensidão que é ter vivenciado esse momento. Vai muito além de prestigiar o trabalho de um amigo.

Foi algo visceral. Gosto de coisas que mexem com as minhas entranhas, mesmo que eu me debata um pouco no início. Guilherme diz que eu não aceito críticas construtivas, e que "é normal isso". Sempre reviro os olhos quando ele diz/escreve isso. Mas, acho que é muito além, é quase uma forma de manter a sanidade num momento de desespero, é, aquele momento de se acomodar na nova posição quando se está sentado no piso duro e gelado. E esse documentário, assisti-lo foi, não sei, como estar horas deitada no piso duro e querer se levantar. Seus ossos e a carne toda dói, as vezes falta força, você fica andando meio duro e desconfortável durante um tempo, mas quando se dá conta do que aconteceu só deseja voltar aquela posição novamente, a de espectador

Em Porto Alegre o filme fica até amanhã em cartaz, corre lá!
Espaço Itaú de Cinema
14:30 e 20:00
Cinebancários 
15:00

Fiquem com o trailer, espero que tenha feito jus ao filme, e é isso! 


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