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A 'Cadela da Noite' - Nightbitch (2024) e a visceralidade da mulher-mãe

Canina (Nightbitch, 2024, escrito e dirigido por Marielle Heller, baseado no romance de 2021 de Rachel Yoder), foi o filme mais visceral que assisti nos últimos tempos. Uma obra que explora a maternidade e a essência feminina para além do básico. Já assisti diversos filmes que abordam o tema, mas esse enredo fantástico, que beira a loucura expressa tudo que nós mulheres no puerpério vivemos e sentimos.

Amy Adams, encarna lindamente a personagem principal, que é referida apenas como “mãe”, o que me leva a pensar em quantas vezes nós, mulheres, nos sentimos apenas mães. Uma fábrica de colo, leite, sangue e suor. Cuidadoras em tempo integral dos filhos e maridos, sem tempo para um banho, comer sem interrupção, muito menos para ler um livro. Ou o quanto nos sentimos burras e desinteressantes durante toda a gestação e tudo, absolutamente tudo, gira em torno de roupas, fraldas e o desenvolvimento daquele micro ser humano dentro de nós.

Uma das falas que descrevem esse processo é quando ela desabafa com o marido, referido como “pai”, o quão difícil era o cuidado, porque “era como se ela estivesse cuidando de um suicida”, e sabemos que à todo o instante, acidentes acontecem com crianças pequenas. Ela interpreta muito bem a sensação de esgotamento, frustração e o modus operandi materno, sempre em alerta aos perigos.

A sua reclusão em relação as outras mães por se achar péssima, sem paciência e sem ludicidade, ilustram as vidas de muitas mulheres. Nos sentimos solitárias, buscamos um ideal de criação que não existe, vendido por grandes industrias, influenciadores, médicos e terapeutas. Nos esquecemos dos nossos instintos, e não estou falando sobre instinto materno, mas de instinto humano, de seguirmos nossa natureza única e individual. Esquecemos que não nascemos com fórmulas ou manuais, porém desejamos incansavelmente de um roteiro para nossas vidas. Roteiros esses que são uma falsa ideia de segurança e estabilidade irreal.

Amy, como mãe, nos mostra através do olhar de si própria, em uma metamorfose animalesca, como o resgate da nossa essência é fundamental ao final do puerpério e como o resgate da mulher selvagem em si é um processo doloroso e cheio de rupturas. A mãe, se separa do pai nessa busca por si mesma, se permite ter seu tempo sozinha e anseia por ele. Faz uso desse espaço-tempo para criar e romper a crisálida que a prendia. E, com isso, seu tempo com o filho muda, ele se torna agradável, ela brinca, ri com o caos, descobre formas de viver diferentes, que funcionam, que saem da caixa e a deixam feliz. Ela se torna uma mãe melhor quando dedica um tempo à si, para a mulher-mãe.

Ao se dar conta de que “somos deusas, nós criamos ossos, pele e órgãos dentro de nós” ela, a mãe, se liberta da ideia de inferioridade feminina e materna que tinha sobre si e sobre as outras. Ela encontra, ao se abrir, um grupo de mulheres que são seu suporte nessa busca animalesca pela liberdade e o reencontro com faces perdidas.

Para além da alegoria mulher-fera, o filme aborda a relação do casal, mãe-pai e suas demandas de cuidado injustas com o filho. A falta de comprometimento de um pai que trabalha fora e não consegue ser funcional dentro da própria casa, que culpa e responsabiliza a parceira por esquecer de comprar o leite ou de deixar de ser a pessoa com a qual ele se casou.

Eu poderia passar horas escrevendo sobre o filme, unindo arquétipos e leituras como ‘Mulheres que correm com os lobos’, de Clarissa Pinkola Estés, ‘Mulheres, mitos e deusas’ da Martha Robles ou ‘As deusas e a mulher’ de Jean Shinoda Bolen, mas vou me limitar a dizer: assistam. Mulheres, mães ou não, homens, pais ou não, pessoas, apenas assistam. Para entender mães, porque, afinal, viemos de uma mãe, nos relacionamos com mães, e o mundo só é mundo por causa de mães. Insisto, assistam.

Finalizo dizendo que, assistiria mil vezes, porque Canina não me arrancou lágrimas, Canina me abraçou e disse “tudo bem, eu estou aqui, todas nós passamos por isso e tu não está só, eu sinto a tua dor”. Canina é um grito que vem das entranhas e ecoa no espaço, é sobre parir a si mesma, é sobre reencontrar-se.

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Nova eu e uns blá blá blá's

Muitas coisas tem acontecido nos últimos meses, mas eu vou dar uma pincelada geral em tudo. Estamos morando na casa, na Glória, mesmo que ainda em reforma, e isso tem causado vários gatilhos em mim. É cansativo, sempre suja, não tem lugar para as coisas (já que nossa mudança ainda está 50% em Viamão, na minha mãe). Várias coisas improvisadas, enquanto corremos contra o clima frio do inverno para dar conta de terminar até agosto. 

Estou produzindo alguns eventos bem bacanas em Porto Alegre, gerenciado alguns instagrams e sido mãe em tempo integral. Além da participação de feiras da economia solidária de Viamão e Porto Alegre. Sim, a mãe tá on e é workaholic.  

Tenho passado por alguns (grandes) perrengues no meu relacionamento. Mas, a vida tem sido generosa comigo e me presenteou com pessoas muito especiais para me apoiar e acolher. 

E, apesar de tudo, tenho me sentido bem em como as coisas tem acontecido. Na maior parte das vezes. As coisas estão se encaminhando para o melhor. Me sinto em paz

Tenho me redescoberto a cada dia. Como na história do Barba Azul, abri a portinha e vi tudo que guardei lá. A chavezinha não para de sangrar. E todos que tem olhos podem ver. Mas, ao contrário da esposa do Barba Azul, eu não temo mais ele. Ele não pode me ferir, afinal, ele sou eu mesma me chicoteando durante todos esses anos. 

Lembro de uma leitura de cartas que eu fiz em janeiro, e recebi um aviso para eu cuidar com traições, que poderiam ser as minhas próprias. Hoje eu vejo elas e já não permito mais que continue assim. 


Fiz uma tatuagem, que simboliza minha libertação, minha subida à luz depois de anos nadando em águas profundas. Também, sobre minhas emoções, a beleza e a complexidade delas. 

Me apaixonei por mim, novamente. Me apaixonei por pessoas incríveis. Me senti amada, me sinto ainda, por todos que estão participando ativamente da minha vida. 

Quebrei correntes e padrões que me feriam. Floresci

A JORNADA DAS BRUXAS
Da autora @karinaheid
Quem é fã de Campbell, arquétipos (Jung), mitos e a mística feminina (quem aí leu Mulheres que correm com os lobos?) vai amar esse livro!
Leitura gostosa, fluída e com viagens, natureza, animais selvagens e muita descoberta de si.
Nina Wolf, uma jovem bruxa, vive se escondendo (e os seus poderes) dos humanos. Sua família carrega o fardo de ser rebelde por uma ancestral ter desobedecido as ordens dEla, a Deusa.
Prestes a completar 18 anos, Nina recebe uma carta extraviada, de 30 anos, para se juntar a uma velha bruxa Romena, centenária, isolada nas montanhas. Um rito de passagem. Um verão para aprender. Uma peregrinação cheia de descobertas.
Porém, Nina não quer, de modo algum, ir para Romênia. E tudo fica mais difícil quando acontecimentos estranhos relacionados aos poderes da família e a abundância de suas terras chegam aos olhos de uma agência do governo.
Além disso, um novo aluno, Alex, aparece e mexe com a cabeça de Nina. Ele também guarda um segredo. Ele também é um mistério.
Para onde os caminhos da Deusa levarão Nina? Para a Romênia? Para ser cobaia do governo? Ou para os braços de Alex?
Não é só mais um romance adolescente. É um livro sobre morte e renascimento. Sobre ritos de passagem, sobre descobertas. Sobre olhar para si e suas necessidades. Sobre quebrar padrões familiares. Sobre desvendar historias mal contadas, colhendo ossos, como 'La Que Sabe'.
Parasheva, a velha bruxa centenária, me lembra muito Baba Yaga. E as megeras selvagens dos contos de Clarissa Pinkola Estes. E, particularmente, eu adoro estórias com velhas/ bruxas mal humoradas e cheias de sabedoria. Com seus arquétipos de mãe boa-má. Ela é boa-má porque ensina, com amor, dor e suor, a crescermos.
Nos ensina que o mundo não é amigável e precisamos saber nos cuidar. Criando nossa nova mãe do self.

(Mas isso é uma longa história)

Super indico a leitura, pra curtir essa estória que eu fiquei apaixonada e ainda estou de ressaca literária!

Esses foram os livros que eu consegui ler até agora. Tenho outros começados, mas por enquanto é isso mesmo!
Essa é a minha Meta de leitura de 2023

E, se quiserem saber o que estou produzindo, juntamente com uma equipe M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A, segue a @feiravinilpoa no insta! 

Obrigada por ler até aqui, um beijo e um cheiro!

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'A Filha Perdida' e os desafios da maternidade


É incrível como nossa visão e gostos mudam ao passar dos anos. Li A filha perdida em agosto de 2017, por causa de um evento da UFRGS, o Leia mulheres POA, e acredito fortemente, que se não fosse por isso não seria meu objeto de leitura na época. Quando li, achei a personagem principal meio desequilibrada emocionalmente, talvez até uma feminista 'tardia', que abdica da maternidade para viver sua vida. 

O livro não me marcou profundamente, mas marcou. Comprei e ganhei mais alguns livros da autora (que acabei não finalizando por conta das coisas da vida), mas sua escrita sim, profunda e sentimental, diria até, intensa. A narrativa em si se perdeu na minha mente, só lembrava dos conflitos internos de Leda, a protagonista, mas não de todo o enrredo. 


Ao assistir o filme na Netflix, em um momento de crise materna, diga-se de passagem, foi chocante como a tradução das palavras em imagens ficaram perfeitas. Apesar de não lembrar muito do livro, o filme me traduziu diversos sentimentos de exaustão, de angústia, de insatisfação que a maternidade traz. E não importa o quão bem resolvida tu esteja, a maternidade irá remexer fundo em diversos nichos da tua vida. 

Hoje, em meio ao surto de exaustão física e emocional que pus a endagar sobre algumas coisas, como: será que eu não amo mais meu companheiro? será que eu seria muito merda se eu sumisse, assim, por um tempo, sozinha? às vezes eu queria dar uma morridinha, só um pouquinho, pra descansar... será que se eu deixar ela chorando assim, ela fica "bem" pra eu tomar um banho? eu não sei mais o que eu faço pra esse guri parar, será que eu estou errando na educação dele? 

Entre outras...

É assustador como a mente cansada e exaurida busca se livrar da tormenta, e quando o cansaço vai embora nos damos conta do que se passou, e como absurdo é tudo que pensamos. Com isso, sinto uma imensa empatia em relação a Leda, apesar achar bastante drástico tudo que ela fez na vida dela. Infelizmente, são escolhas, ela decidiu investir na vida dela e se afastar das filhas. E, claramente alí, ela tem um complexo de 'criança ferida' pelo incidente com a boneca. Talvez, até suas próprias questões com as filhas e o arrependimento de não ter as criado.

Também consegui enxergar alguns processos pessoais meus através de Nina e sua filha, sua relação com a família e a falta de validação que vinha dos demais. A maternidade é sempre um espaço 'público' em que todos se acham no direito de julgar, manter e se meter. 

Muitos 'enfins' para finalizar esse texto. Deixo aqui minha reflexão, opinião e desabafo. E a pergunta: já leu/assistiu? 

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Meio ano e uns acontecimentos!


Em dezembro eu apresentei o meu Trabalho de Conclusão de Curso em Pedagogia, a monografia foi publicada no site da biblioteca da PUCRS. O tema foi: Crianças pequenas são capazes : autonomia e apego seguro. Clicando no link é possível baixar e ler o trabalho. 

Defendi o trabalho grávida de sete/oito meses da Flora, com o Ákilah no colo, com 'louvor'. Recebi nota máxima, com o convite para publicação de artigo e a tal da publicação na biblioteca. Os corres não pararam por aí, tive que fazer ajustes para a publicação acontecer de fato, autorizar, escanear etc. Em menos de uma semana, quando achei que conseguiria finalmente descansar! 

Flora nasceu em 10/02/22, num parto domiciliar amoroso e familiar. Mostrando para que veio ao mundo. De forma aterrada e firme. 

Aos poucos voltei a ler, e só agora, de fato, escrever. Sentar no computador e colocar as ideias em ordem! Mas, ainda é bastante desafiador em vários aspéctos, como:
  1. Conseguir me colocar no foco do processo, aceitar que sou pessoa e tenho direito a fazer essa atividade que me preenche imensamente;
  2. Sentar, de fato, e escrever, sem interrupções a cada 5min;
  3. Fazer tudo isso sem culpa por não estar dando atenção aos meus filhos pequenos;
  4. Confiar que sou capaz de escrever alguma coisa que faça sentido aos outros e não somente a mim e a minha bolha.
Lidar com as inseguranças é um trabalho árduo na vida de uma mãe. Não conheci uma só mulher que não se sentisse insegura em voltar, de alguma forma, a fazer o que ela sempre fez, após o parto.


Ákilah tem 3 anos e dois meses e Flora tem quase sete meses. Duas fofuras, que dão muuuuito trabalho, muitos cabelos brancos e provocam noites mal dormidas. Ákilah vem de uma longa temporada de gripes com febre, que nos deixaram bastante exaustos, principalmente por ele já ir a escola e, nesses momentos de doença, ficar em casa e bagunçar a rotina que eu já havia estabelecido. 

Minha meta de leitura está enorme no skoob, são 36 livros e essa lista só cresce!


Minha lista de livros lidos é essa:
Com 3,166 páginas lidas. Isso foi mais do que eu li nos últimos anos, fora semestre passado com o TCC. Vou deixar o link da minha meta aqui: meta de leitura de 2022.
Tenho lido muito no Kindle, que tem me ajudado muito a amamentar e ler ao mesmo tempo, embora eu ainda cultive a leitura em papel. E, como vocês podem ver, eu sigo com a minha mania de ler um pouco de cada livro e ir alternando conforme minha vontade e necessidade do momento!

Bueno, isso é só um pouco do que aconteceu nos ultimos meses, nem se compara com a muvuca que é estar na casa dos pais, ter dois filhos, tcc, pandemia e afins. 
Aos poucos, pretendo voltar aqui, contar coisas novas, trazer resenhas e contos (estou cheia de ideias). 

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Onze anos de blog (um tempo escrevendo)!


Fazem onze anos que eu escrevo aqui (quase o meme da Rose 'fazem 84 anos'), entre idas e vindas, entre a mesmice e o coração adolescente partido, entre o sucesso acadêmico e a vida corrida de mãe. Estou há semanas com vontade de sentar em frente ao computador e me entregar por horas a escrita de qualquer coisa que faça o mínimo sentido. Talvez, até chorar, em luto, pela morte da escritora em mim. A última escrita foi o TCC e depois disso, nada além de meia dúzia de textos no instagram e páginas no diário, amassado, que eu resgatei recentemente. Sinto, imensamente, saudade do ócio, do "fazer nada" e, ainda assim, fazer algo. Ler por horas, escrever durante a madrugada e não me preocupar em lavar roupas, com a janta ou se a casa está suja. Agora mesmo, escrevo com a Flora agarrada ao meu seio, mamando e dormindo.

Sinto falta da menina que criou esse blog e que passava horas em devaneios, escrevendo, pintando e sonhando. Não sei se ela teria orgulho de mim, já que ela desejava fazer muito mais antes dos 30. Acho, que o que eu faço hoje, que também é bastante importante, não seria a prioriade dela, nem da forma que ela faria. Mas, já está feito, e apesar de tudo, sou feliz por ser quem sou e fazer o que faço. 

É contraditório, não? Sentir falta de coisas e, mesmo assim, não desejar mudar nada?! Eu também acho. São saudades que vem com o amadurecimento e, hoje sei, que me identifico muito com o que me tornei e essa é minha melhor versão, apesar da frustração e da saudade de não ter pequenas pessoas que dependam de mim. Ser mãe é cansativo, é um investimento sem retorno, é um tempo que não volto. E, por não voltar é que é tão precioso. 

Eu cresci e ainda volto aqui para escrever, mesmo que ninguém leia, mesmo que essa plataforma esteja fora de uso ou obsoleta. Busquei lugares e passei semanas modificando a cara do blog somente para conseguir me sentir confortável em escrever novamente. Talvez eu siga escrevendo em outros lugares, tenho pesquisado e me encantei com uma 'rede social de escritores e leitores', a Scriv. Me procurem lá, ainda alimento o desejo de seguir escrevendo, e, quem sabe, publicar algo novemente. 

Alimentar o sonho da adolescente que vive em mim. 

Por hoje é só, grata por quem leu. 

Ps: adoro comentários.



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O Adeus da Morte



Em medos de dez dias minha família se despediu de dois entes queridos: meu tio avô e meu primo em segundo grau. Um por covid e outro parada cardio respiratória.  Meu tio avô era idoso, com seus noventa e tantos anos, já estava internado e não foi tão chocante, já que havia contraído covid e sabíamos que as chances dele sair da uti seria mínima. Mas, meu primo, que faleceu na tarde de ontem foi mais impactante pelo fato de estar 'aparentemente' saudável, com seus sessenta e tantos anos. 

O fato é que nunca estamos realmente preparados para se despedir de um ente querido. 

Março e meu aniversário

Apesar de ser a semana do meu aniversário, não é uma semana lá muito feliz! Não podemos ver amigos, não podemos sair, nem beber no bar. 

Ano passado eu consegui ter meu aniversário, com os amigos próximos e família antes de tudo parar. Esse ano não será possível!

Mas, estamos vivos...

Nesse momento eu só consigo agradecer por estar viva, por ter uma casa, alimento e uma família comigo. Lógico, que existe uma expectativa das coisas mudarem e que nós possamos erradicar esse vírus, mas não pra agora!

A realidade é dura, não é nada fácil e seguimos nos resguardando e vivendo dentro das possibilidades! 

Esse, será de longe, o ano mais difícil para todos, acredito. Apesar de já termos vivenciado um inteiro de pandemia, uma hora os recursos acabam, as empresas fecham e por aí vai!

Por fim, fica meu rezo de todos os dias, de muita luz e força para cada pessoa que precisa sair para trabalhar, para trazer o sustento pra sí e para sua família. Para quem está cansado de estar isolado e fazendo home office com criança pequena em apartamento pequeno. 

Sejam fortes, sejam flexíveis e resilientes. Vai passar, logo mais! E, tenham fé, se alimentem bem e façam seu melhor! 

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Sobre o Livro: Pariremos com Prazer, da autora Casilda Rodrigáñez Bustos

Primeiramente eu gostaria de dizer que isso não é uma resenha e eu não quero que seja. Vim mesmo falar sobre esse livro que li entre outubro e dezembro de 2020. Descobri o livro quando estava na praia, tirando uns dias da loucura da cidade e imediatamente quis ler. Já vinha buscando livros de literatura pra sair um pouco dos livros técnicos sobre maternidade e infância, o que não consegui. Mas, esse livro apesar de abordar diversas informações sobre o parir através da história, tem a leitura extremamente fácil!

Para quem não sabe eu gosto muito de ler sobre sagrado feminino, arquétipos, feminismo e maternidade (recentemente). E a Casilda é uma autora que traz uma visão diferente de tudo que eu já li, ela não fala de uma deusa, de uma religião matrifocal, ela fala de uma sociedade que foi estruturada sob o seio da mãe. Ah, mas como assim? Eu explico!

Casilda fala que quando nós temos uma mãe em comum e nós entendemos que somos todos filhos dela, portanto, tudo que é dela é nosso e somos ensinados o amor, a escuta e a compartilhar com o outro (princípios considerados maternos e femininos) não há guerras e disputas de poder. E ela fala ainda que as guerras, disputas e a rivalidade surgiram com sociedades patriarcais que foram dominando as tribos e introduzindo nas mulheres os ideias 'do pai', do poder, da competição, da rivalidade, do matar e morrer etc. 

Isso tudo ela aborda ao final do livro, mas fez mais sentido pra mim trazer no inicio desse relato. Por que? Bom, ela começa o livro explicando que de forma geral os animais não sofrem para parir como as fêmeas humanas. Explica que pode ser pela mudança na fisiologia da mulher, quando passou de um ser que andava com a ajuda das mãos (primata) e passou a ser bípede, a musculatura do assoalho pélvico e do útero ficaram mais fortes e mais resistentes, essa é uma das teorias dela. A outra, que me faz muito sentido também, é que com os anos de repressão patriarcal em relação ao corpo da mulher e seu poder como geradora de vida, essa mesma musculatura que se modificou com o bipedismo se tornou tensa e com pouca elasticidade, causando um 'trauma' que na hora do parto é caracterizado pela dor. 

O livro fala ainda que para se ter um útero elástico é necessário se libertar desses traumas e repressões sobre a sexualidade. E ainda, Casilda aborda as danças orgásmicas femininas, que deram origem a danças tribais e do ventre e conta relatos de mulheres que tiveram orgasmos com mexendo o abdome durante exercícios físicos ou dança, isso tudo, pasmem, é porque o nosso grande órgão sexual (feminino) é o útero, e não a vagina (aliás, yoni significa útero, segundo a autora). Ou seja, quando o útero começa a tremer, nós começamos a sentir a excitação e o orgasmo acontece quando o nosso útero tem esses tremores mais intensos. Já pararam para perceber seu corpo durante o sexo e a masturbação? Nunca sentiram um friozinho ou uma cólicazinha no útero?

Entre todas essas informações fantásticas a autora conta um pouco dos mitos de medéia, medusa e todas as serpentes das mitologias judaico cristãs, nórdicas, celtas e greco-romanas como a serpente do eden e lilith. 
  
É um livro consideravelmente pequeno e uma pessoa não mãe, com tempo para ler, provavelmente conseguiria ler todo ele em um ou dois dias. 

Sobre a autora: (via Dita Livros)
Casilda Rodrigáñez Bustos nasceu na cidade de Madrid (Espanha), em 1945. Bióloga, escritora, feminista, publicou livros que trazem informações e discussões sobre o corpo da mulher, parto, maternidade, as culturas pré-patriarcais, a contribuição do patriarcado para a desconexão da mulher com seu corpo e sua natureza, entre outros assuntos dessa natureza. Escreveu os livros El asalto al HadesLa sexualidad y el funcionamento de la dominaciónLa Represión del deseo materno y la génesis del estado de sumisión inconsciente e vários outros artigos e ensaios – nenhum destes ainda traduzidos para o português brasileiro.

Enfim, é um livro maravilhoso e eu sigo apaixonada por ele e muito eufórica ao falar sobre!
Espero que tenham gostado desse post depois de muitos séculos sem postar e até logo!

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Sobre a Carga de uma Mãe


 

“Uma mãe só consegue nutrir se for nutrida”. 

Pode parecer hipocrisia, podem vir me falar que fulana não teve rede de apoio e amamentou, cuidou e amou seu bebê até os 4 anos e ainda ama mesmo após o desmame. Mas eu me pergunto, e o emocional dessa mãe? Como será que ela se sente lá no fundo? Será que ela não está se sentindo um farrapo, estilo aqueles filtros do insta “só o farelo do bolo”?


Uma vez eu li num livro que existe uma tríade familiar: mãe, pai e bebê. No início da relação entende-se que homem e mulher se nutrem mutuamente e que com a gestação e o bebê o processo precisaria mudar. Pai nutre mãe, que nutre o bebê. Quando acontece de mãe nutrir pai e bebê ninguém a nutre, correto? Lembro que era bem didático, com setas e tudo! 


Se no pequeno círculo familiar, o pai, companheiro ou companheira não nutre a puérpera, como ela terá capacidade emocional de nutrir o bebê? 


Ter um filho é uma grande demanda, seja ele planejado ou não. E essa história que as avós contavam “porque eu tive nove filhos e criei todos muito bem”, mas e a senhora? Tinha saúde mental ou vivia sempre cansada, irritada, sem libido e emocionalmente instável? Tudo isso para dar conta de uma casa, de um marido que não lavava nem a cueca? 


Sou grata por os padrões de relações estarem mudando (sim, porque ainda temos relações assim como as das nossas avós por aí).

Essa semana estava conversando com uma amiga sobre a idealização do sofrimento materno e a fantasia da heroína. Nós idolatramos mãe sobrecarregadas física, mental e emocionalmente, achando que “tudo bem eu estar sofrendo para criar meu filho”, quando na verdade não está. 


“Nós só podemos dar aquilo que temos” e hoje eu estou cheia de citações e frases de impacto. O que eu quero dizer é que se eu estou sobrecarregada, irritada e cansada sobrará pouco espaço para eu ser amorosa e atenciosa com meus filhos, terei pouco tempo pra eles e posso acabar caindo no ciclo do ‘aqui sou eu que mando’, violência gera violência e sim, sobrecarregar uma pessoa é violência sim!


E não cai nessa de que “eu não tenho que falar, ele tem que saber”, é importante falar suas necessidades, expor o que sente e dar a chance da pessoa se ligar e mudar. Caso ela não apresente nenhuma evolução, passamos para um outro plano. Isso não quer dizer que nós temos que falar tudo para que o nosso companheiro/a nos entenda, mas sim que ele aprenda a perceber que se meu foco é o bebê e ele não levantar a bunda do sofá pra lavar roupa, a roupa dele não será lavada e ‘que pena’, vai andar pelado ou sujo!


Se imponha com amor, fale das suas necessidades, converse, faça acordos, nesse momento mais que uma casa limpa tu precisa estar nutrida para nutrir! Se preencha de amor de todos os lados!

Boa semana <3


Deixo vocês com essa música que eu amo tanto!



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O que fazer na quarentena do Covid-19


Não está sendo fácil lidar com a ansiedade de ficar em casa (e quando precisar sair ter que lidar com o clima de tensão no ar). Tenho pensado em táticas para produzir em casa com o que eu tenho, também tenho me dedicado a distrair meu bebê de 8 meses e meio. Além disso voltei as minhas leituras: estou quase terminando A Deusa Interior e pretendo terminar os ultimos capítulod de A maternidade e o encontro com a própria sombra, além desse eu adicionei "Mulheres Visíveis, Mães Invisíveis" (da mesma autora do livro anterior) na minha lista de livros para 2020


Primeiro de tudo nós temos que conviver com a loucura das redes sociais e tentar nos manter calmos. Lembro da quarentena pós parto (que foi uma 'vintena' porque eu não consegui ficar mais dias em casa), foi enlouquecedor. Eu adoro ver pessoas, andar de ônibus, estar em movimento. Acho que essa é a parte mais difícil de tudo isso, a reclusão, e essa reclusão gera muito estresse, que acaba baixando nossa imunidade e daí nos tornamos mais "sussetíveis" a contrair qualquer doença. 

Segundo, não querendo por mais lenha na fogueira, mas não sabemos por quanto tempo teremos que ficar reclusos para não espalhar o vírus por aí, portanto tive que bolar algumas estratégias para sobreviver psicológica e emocionalmente nesses próximos dias.

Como vocês podem perceber, eu sou a rainha das listas, aqui vai a minha para essa quarentena trancada em casa:

Realidade de uma mãe 

- Pintar telas;
- Ler pelo menos 3 livros;
- Criar colares novos;
- Criar jogos para o Ákilah;
- Costumizar roupas;
- Rever meu guarda roupa e tirar o que eu não quero mais;
- Mexer na horta e na decoração da área externa da casa;
- Pintar minhas prateleiras;
- Assistir pelo menos 3 séries; 
- Pintar as unhas regularmente;
- Cuidar da minha aparencia (estou precisando elevar a minha autoestima);
- Praticar Yoga 2x na semana;

Também me alimentar melhor, com bastante frutas e verduras para fortalecer minha imunidade. 



Vou deixar duas dicas de filmes (mais antiguinhos) para vocês conferirem, se ainda não assistiram: 
  1. Comer, Rezar, Amar (2010): Conta a história de uma mulher que decide ir em busca de si mesma em três lugares do mundo, é um filme bastante engraçado embora nos coloque para pensar sobre as questões da vida; 
  2. A Chegada (2016): Conta da chegada de naves extra terrestres em vários pontos do mundo, nisso pesquisadores de cada lugar onde as naves estavam entratam em contato com esses seres e tentaram decifrar a lingua, mas somente uma pesquisadora consegue, indo contra tudo e contra todos. 
No mais é isso, comam bem, durma bem, e mantenham a calma. 


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A mulher que eu era X A mulher que eu sou hoje


Alerta de sinceridade! 
Me peguei pensando na vida essa semana (que por sinal passou muito rápido), e percebi que quem eu sou hoje não estava nos meus planos floriados. Eu queria terminar a faculdade, talvez fazer outra ou um mestrado, ter minha própria casa (sozinha) e depois com o tempo, ter filhos. Mas, a maternidade me pegou no meio do caminho, trazendo todos os meus preconceitos a tona: eu não havia terminado a faculdade, ainda morava com meus pais, recém havia começado meu relacionamento com meu "marido" e pai do meu filho, havia trancado a faculdade em uma daquelas crises dos vinte e poucos anos em que tu não sabe ao certo se é aquilo mesmo que quer pra vida etc etc. 

Percebi que eu refletia diversos padrões mentais patriarcais e obsoletos que, de fato, não eram meus e sim da minha família. Um deles, e talvez o mais forte, era o que criança atrapalha os estudos e a vida profissional de uma mulher. E como eu segui na faculdade grávida (mais ou menos até as 32 semanas, quando eu consegui um atestado para terminar o semestre em casa) foi bem intenso lidar com meu próprio preconceito perambulando redondamente grávida pelo campus. Sentia que não me encaixava ali, via olhares onde não existiam e as vezes tinha diálogos internos incriveis sobre o que cada rosto estaria pensando. 

Voltei de licença maternidade quando o Ákilah tinha quatro meses, me sentia crua demais para aquilo e ainda deslocada. É realmente difícil estudar com uma criança pequena que demanda tanto de ti, mas tendo uma rede de apoio, não é impossível. Quando ele estava para completar 7 meses eu voltei a trabalhar e novamente contei com a rede de apoio, ainda tem coisas que precisam ser arrumadas e aprimoradas, mas tudo tem jeito. 

A questão é: (voltando ao foco do texto) eu acreditava que a vida tinha que acontecer em etapas e quando eu pudesse, mas vejo que ela acontece como deve acontecer, porque vidas reais são assim. Essa história contada em filmes raramente acontece e se ilude quem acredita. Obviamente que filhos podem ser planejados, mas nem sempre isso acontece. E aquela sua ex colega que teve que trancar o ensino médio porque engravidou, que tu achava que "não tinha se cuidado" foi mais uma mulher que caiu nas redes cruéis do patriarcado e da sociedade brutal que atinge as mulheres ainda hoje. 

Não somos ninguém para julgar os outros, o que fazem ou deixam de fazer. Quando e como decidiram (e se decidiram) ter um filho. Filho não atrapalha, só deixa a fase do jogo que é a vida mais difícil (e recompensante). E quem não quer ter filho e focar na carreira, tá certo também! Ah, não leva jeito e gosta do seu conforto? (porque ter filhos é sair do umbiguinho e viver por muito tempo com pouco) ótimo também! Eu vejo muita gente infeliz, principalmente as mulheres, porque acabam na obrigação de ter e fazer coisas que não querem ou não se sentem prontas. Isso só gera um caos ainda maior, como abandono, crianças crescendo sozinhas ou com uma mãe extremamente extressada (por estar num papel que não queria estar, mas foi conduzida ou forçada etc).

Eu acredito fortemente que quanto mais tu te debate sobre um certo assunto mais esse assunto "bate" a sua porta. Eu tinha esses preconceitos sobre estudos, trabalhos e maternidade e ele caiu como uma bomba no meu colo e no da minha família (que ainda não engole muito bem porque 'não foi o que planejamos para ti' como se a minha vida fosse deles).

Família, família uma grande questão! 
Enfim, fica essa reflexão do lugar da mulher e da mulher mãe, para todas as mulheres, mães ou não, que queiram ou não queiram ter filhos.
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Meta de leitura de uma Mãe atarefada!

Playlist que estava ouvindo quando escrevi: https://www.youtube.com/watch?v=RGBgrnCWZg8 
 
Eu sempre fui uma pessoa que leu muito, cerca de 30/40 livros por ano. Na gestação eu li um livro e meio e isso foi bastante frustrante porque eu não entendia o motivo de eu não querer ler e me sentir meio "burra". A questão é: tá tudo bem! As grávidas ficam "meio burras" mesmo, nosso cérebro não quer gastar energia lendo, ele quer é focar em dar os comandos corretos pro corpo se adaptar as mudanças e a literalmente fazer um bebê! 
Nós ficamos no pacote de funções básicas do corpo: comer, dormir e sentir prazer (sem ter que pensar muito).
E isso de "ficar burra" dura em torno de dois anos. Mas, não se assuste, nós voltamos progressivamente ao nosso normal. O Ákilah tem oito meses agora e como eu voltei a trabalhar consigo ler em torno de 10 páginas por dia, 5x na semana. 
Eu tenho minha meta de leitura de 23 livros (até agora), mas decidi trabalhar com um número menor e mais "real", que são 13 livros que eu REALMENTE quero ler. 

Meta de leitura completa no Skoob (aqui)

A Deusa Interior

Um Guia Sobre os Eternos Mitos Femininos que Moldam Nossas Vidas
Jennifer Barker Woolger, Roger J. Woolger
Cultrix

A Deusa Interior é o livro que estou lendo no momento e ele fala sobre os arquétipos psicológicos de 6 Deusas: Atena, Ártemis, Afrodite, Hera, Perséfone e Demeter e como as mulheres que correspondem a cada uma dessas deusas reagem a vida e seus perrengues correspondentes. 
Inteligência Emocional

Daniel Goleman
Objetiva

 É um guia para pais e educadores de como criar e educar crianças empáticas e com um emocional saudável e, principalmente, o que não fazer!

A Maternidade e o encontro com a própria sombra
O resgate do relacionamento entre mães e filhos
Laura Gutman
Best Seller

Também com arquétipos a autora fala muito de como o emocional das pessoas que lidam com a criança influencia no próprio emocional e no comportamento dos pequenos. É uma ótima leitura para futuros pais ou pais de primeira viagem. Nos mostra que a mãe divide o campo emocional com a criança até os 2/3 anos (o que vem de encontro com aquela teoria de que a mãe fica meio burra porque o corpo dela não precisa da parte lógica do cérebro e sim da ligação abstrata e emocional para a criação do vínculo e para a sobrevivência do bebê)

Os cinco níveis de apego

Don Miguel Ruiz Jr.
BestSeller

 
Este livro fala sobre os princípios espirituais toltecas e o que eles entendem como apego. Cada nível de apego nos limita de uma forma e quando aprendemos a não pessoalizar e nos mantermos no centro de nós mesmos, tudo se resolve mais facilmente.


Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas

Práticas, Rituais e Cerimônias para o Resgate da Sabedoria Ancestral e a Espiritualidade Feminina
Mirella Faur
Pensamento

Nesse livro Mirella fala de seu caminho nas formações de círculos femininos e quais configurações deram certo ao longo dos anos, esse é mais um dos livros que eu parei na metade.

A Lei da Afinidade

Como Atrair o Amor, A Saúde e A Prosperidade Para A Sua Vida
Cristina Cairo
Barany

 Cristina Cairo fala sobre estar receptivo e atrair as coisas boas para a sua vida através do pensamento e da atitude.

O Despertar de Minerva

Um estudo sobre a criatividade ds mulheres
Linda A. Firestone
Rosa dos Tempos

O Despertar de Minerva é um livro que eu empaquei no finalzinho, é um livro lindo que fala sobre as formas de criatividade e utiliza dos arquétipos das deusas para demonstrar que nós mulheres somos fonte de vida pura!

Por que fazemos o que fazemos?

Mario Sérgio Cortella
Planeta


 Esse livro eu comprei em 2017 e ainda não li, mas me caiu bem nesse momento pra ver se eu entendo para onde vou e se eu estou fazendo mesmo o que eu quero da vida!


Um Amor Incômodo

Elena Ferrante
Intrínseca
 

Fala da relação de mãe e filha, algo que nunca foi fácil para as protagonistas da trama de Elena Ferrante. 


No Seu Pescoço

Chimamanda Ngozi Adichie
Companhia das Letras


Chimamanda fala da cultura nigeriana neste livro, uma coletânea de contos fortes.

O poder do discurso materno

Introdução À Metodologia de Construção da Biografia Humana
Laura Gutman
Ágora

Laura Gutman está no meu coração e eu quero muito esse livro, ela fala muito sobre a conexão mãe-bebê e a integração dos dois seres como um só e toda a biologia que envolve o desenvolvimento humano.

O Legado da Deusa

Mirella Faur
Alfabeto

Nesse livro Mirella fala sobre o culto de divindades femininas ao longo da nossa existência como sociedade, aborda também práticas de conexão interior e meditação. 

Atenção Plena - Mindfulness

Como encontrar a paz em um mundo frenético (inclui CD de meditação)
Mark Williams, Danny Penman
Sextante

 Encontrei esse livro hoje e já quero muito, o termo Mindfullness significa mente presente ou consciente e nos pede para focar no agora, o que é extremamente difícil no mundo corrido e das diversas tarefas que temos que fazer durante o dia + celular + bebê (no meu caso).

 Enfim, essa é minha meta de livros para esse ano, acredito ser bem fácil de cumprir já que boa parte são livros que eu já comecei. Me desejem sorte!


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Eu não entendia a minha mãe até que...

Tirinha da Thaiz Leão @a_maesolo
Eu não entendia a minha mãe até que eu tive um filho. Não é como se a gente virasse mãe de uma hora pra outra, tipo "pari e puf os poderes de mãe aparecessem". Não, não é assim, é no dia a dia que a coisa toda acontece. O instinto chega, mas a prática a gente ganha e vai construindo. Por exemplo, agora eu estou digitando com o Ákilah mamando no meu peito, não é algo confortável, mas a gente se vira!

O que eu quero dizer com tudo isso é que na maternidade, realmente, muitas coisas se repetem com o passado. Aquela história que contam que "mãe é tudo igual, só muda o endereço" é mais ou menos assim em algumas coisas. As demandas da maternidade são muito parecidas: é filho que acorda e chora quando entramos no banho ou sentamos pra comer, é aquele coco que fede quando estamos saindo de casa atrasadas, é o choro pra não perder o colo quando temos que ir trabalhar, é um companheiro que muitas vezes não se liga que não conseguimos levantar quando estamos com o bebê no colo mamando, ou os amigos que acham que estão fazendo algo de bom nos dando um tempo a mais quando poderiam chegar mais cedo e dar uma mão com o pacotinho. Mas nada disso, acredito eu, é proposital. Nesse momento é necessário diálogo, fale que "não tá legal assim" e que precisa de ajuda!

O ideal é termos uma rede de apoio, mas quando se é mãe "jovem" e sua antiga rede de apoio segue saindo pra beber todo sábado a noite porque não tem um bebê pra cuidar, é meio difícil e acabamos nos acostumando a fazer as coisas sozinhas. Acho que toda mãe assume essa carga: fazer tudo sozinha para não se acostumar com a ajuda e quando não tiver, sofrer. 

Só que depois de um tempo cansa! Já se perguntaram porque a maioria das mães é chata e está sempre irritada? 
Porque a louça do dia fica na pia. Porque a roupa nunca vai pra máquina de lavar ou nunca é dobrada. Porque a sala está sempre uma bagunça. Porque quando ela chega em casa, cansada depois do trabalho, ainda tem que cozinhar. Porque acima de tudo entramos no papel de mãe dos outros e acabamos dizendo o que tem que ser feito sem nos darmos conta que aquela pessoa é adulta e tem que saber o que precisa fazer! E eu nem vou falar da privação de sono! Porque ô coisa punk! Eu acordo todo dia meio torta por dormir com o bebê grudado no meu peito metade da noite, e olha que ele só acorda pra mamar lá pelas 4h da manhã!
E imagina nossas avós que tinham um filho atrás do outro, sem anticoncepcional, muitas vezes transando na obrigação, trabalhando pesado na casa e na rua e ganhando pouco, muitas vezes se submentendo a cargos humilhantes ou abusos no trabalho por causa dos filhos e do dinheiro. Hoje eu honro e respeito todas as mulheres, sejam elas como forem. Ser mulher não é fácil. Mulher é luta!

A dica que eu dou pra amigos e familiares é:
PERGUNTE! Pergunte o que a mãe precisa, se ela precisa de ajuda, se ela quer um café, se quer comer, se quer que cuide do bebê pra ela tomar banho. Pergunte como ela está, se ela quer sair pra passear com ou sem o bebê e SE PROPONHA a fazer o movimento de se por no lugar de alguém que teve o mundo virado de cabeça pra baixo por uma gestação e agora tem um plus grudadinho 24h por dia. 

E agora para as mães os 10 mandamentos:
  1. Aprenda a pedir ajuda;
  2. Respeite seu tempo e do seu bebê;
  3. Mande gente intrometida cuidar da sua vida;
  4. Quando o bebê dormir tome banho e/ou coma alguma coisa;
  5. Entenda que você não é mãe dos outros, só do(s) seu(s) filho(s);
  6. Viva um dia de cada vez, sem muito planejamento que o estresse diminui e se você é daquelas que se estressa com coisas não planejadas, peça ajuda para planejar;
  7. Uma vez na semana se permita comprar comida pronta ou um congelado;
  8. Quando estiver longe dos filhos, seja apenas você e deixe eles serem eles com quem estiver cuidando deles;
  9. Não ligue de hora em hora para o cuidador do seu filho, confie;
  10. Sempre que puder, faça algo prazeroso só pra você! 
Nossas mães não tinham muita escolha e acreditavam "que era normal" ninguém se importar com elas e só elas se importarem com os outros, mas nós somos diferentes, nós aprendemos a falar e questionar o que nos foi imposto! Então, não se cale, fale e se for preciso, berre! Mães são poderosas, não se esqueça disso!
Um abraço amigo pra você que não dormiu bem hoje!

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Puta que Pari!

Tirinha da ilustradora e mãe Thaiz Leão @a_maesolo
Estive afastada, sim, estive. Muitas coisas acontecendo e eu não consegui me organizar para ser o "eu blogueira" novamente. Agora com o Ákilah com 7 meses eu já consigo me sentir mais liberta para escrever (mesmo parando a cada 5 segundos pra tirar o bebê de algum lugar perigoso).

Vou falar um pouco pra vocês sobre o ultimo ano que eu fiquei fora!
  • Em Abril eu me mudei, o que ajudou a eu não postar porque não tinha internet. Só uma pessoa trabalhando (que obviamente não era eu) e nós seguramos as pontas até agora que eu voltei a trabalhar, nesse meio tempo eu me dediquei a pintura e artes manuais com cristais e o bom e velho crochê pra ajudar na renda mensal;
  • Segui estudando até as 32 semanas de gestação, depois consegui um atestado pra ficar em casa e entregar os trabalhos a distância, era bem difícil andar de ônibus com uma cabeça encaixada na minha pelve e o mais incrível é que muitas mulheres passam pelo mesmo e ninguém comenta!!
Primeiro adendo: percebi que muitas coisas são assim, "fulana" passou por isso e nunca contou ou comentou, daí a Muryel vai lá e comenta e a "fulana" diz "ah eu também tive isso". Ou seja, nós mulheres e mães nos traímos fortemente quando deixamos de falar o que sentimos durante a gestação. Só ouvia que era maravilhoso estar grávida e que depois de nascer é que o bicho iria 'pegar' de verdade. Mas eu vou dizer que sempre senti 'o bicho pegando' desde que eu descobri a gravidez.
  • Teve muita crise no processo de toda a gestação, não só pelas mudanças do meu corpo, mas pela forma do Lucas (namorado, companheiro, chato e pai do Ákilah) agir, pela libido que ia e vinha e não batia com as idas e vindas do Lucas, teve muita faxina que eu fiz de barrigão que me gerou muita ansiedade e contrações assustadoras (que não eram nada demais, mas eu fiquei cagada de medo), tive que ficar de repouso nas ultimas 3 semanas pro guri não nascer prematuro e tomei muito floral.
Segundo adendo: quando você engravidar crie uma lista de séries e filmes pra assistir, grávidas consomem muito de qualquer divertimento fácil. Eu li dois livros (no máximo) em 9 meses de gestação e eu costumava ler de 2 a 3 livros por mês. E ah, grávidas ficam meio burras, isso é normal, nosso cérebro está focado em outras coisas e não em ser inteligente e com o raciocínio ligeiro.
  • Passei na Federal pra Artes Visuais e o resultado saiu uma semana antes do parto, eu só decidi que não valia a pena correr com 38 semanas de gestação pra entregar papelada na faculdade. 
  • O Ákilah nasceu em casa, parto domiciliar planejado com parteira e doula. Nasceu com 39 semanas e 3 dias, na noite mais fria do ano (e não importa que digam que uma semana depois fez mais frio porque eu sempre vou contar a história assim). Entrei em trabalho de parto lá pelas 20h após um sexo de reconciliação (digamos que rolou uma treta envolvendo uma tal de massa com almôndegas, vulgo desejo de grávida), eu senti muito medo, medo do que eu não entendia e do que eu não havia vivenciado, o Lucas foi a melhor pessoa nesse momento, me acolheu e me fez ver, foi o que "virou a chavezinha" do parto. Vou contar um segredinho que ninguém conta também, quando algumas mulheres entram em trabalho de parto elas fazem coco, muito coco. Talvez todo o coco trancado de dias. No meu caso não foi diferente. E para adentrarmos na Tenda do Parto precisamos entender que o parto NÃO é limpo, tem xixi, coco, sangue, líquido, vômito e por aí. Enfim, continuando: Após o episódio do coco eu tive desejo de bolo, o bolo que eu enjoei e briguei com o Lucas no inicio da gestação, ele fez, obviamente e eu comi. A parteira chegou por volta da meia noite com a minha doula e meu trabalho de parto (TP) ficou tímido, às 2h30 elas fizeram toque e eu estava com quase 5cm de dilatação, então combinamos que eu iria tentar dormir e elas iriam para casa que era perto dalí, por que? Porque meu TP poderia evoluir em horas como poderia levar o dia todo. As 3h eu deitei e as 4h20 eu acordei com muita dor. Teve outro episódio de coco (tudo isso no banheiro, no lugar certo tá gente?!) e o Lucas sentadinho na sala me acompanhando de perto, nisso eu calei a boca dos bichos da vizinhança com um grito (vocalização típica do TP), deixa eu explicar, os cachorros estavam latindo e uivando e os gatos no telhado brigando, eu gritei e fez silencio a noite toda. Nisso o Lucas ligou pra parteira e ela falou comigo, eu lembro de dizer "eu fiz mais coco, a contração ta mais forte e eu sinto muita vontade de fazer força" e bastou pra elas virem. Elas chegaram por volta das 5h da manhã, eu estava meio reclusa no banheiro após ter obrigado o Lucas a lavar dois baldes na água gelada (da noite mais fria do ano, lembra?) um pra placenta e outro pra eu vomitar. Ele chegou com o balde e eu vomitei. Eu fiquei muito na minha dor, na reclusão do chuveiro, chamei a minha doula mais pro final, quando ele já estava no canal de parto, ela me deu suporte, fez manobras pra aliviar a minha dor (eu ainda acho que devia ter abusado mais dela). Eu contei que corri o Lucas de dentro de casa? Pois é, eu fiz isso! Teve um momento que eu estava de barriga pra cima pra Parteira ouvir o coração do bebê que eu fiz uma força grande e senti a cabeça, nisso eu gritei "EU TO SENTINDO A CABEÇAAA!" e a parteira olhou e disse "é, é a cebeça, quer que eu chame o Lucas?" O Lucas veio, defumou a gente, ficou ao meu lado, me ajudou a ficar de cócoras junto com a minha doula e o Ákilah nasceu (como eu tinha previsto) na penumbra do amanhecer, às 7h da manhã. Ele nasceu empelicado, ou seja, na bolsa, ele parecia um pacotinho de salsichão, quando ele veio pro meu colo eu só pensei "meu deus, que coisinha roxa e enrugada, espero que fique bonito" mas no mesmo instante eu amei aquele pacotinho. Esse foi o resumo do meu parto.
  •  Quando o Ákilah estava com 4 meses eu voltei a estudar presencialmente. Foi ótimo pra mim, eu me senti voltando pro mundo civilizado, porque como em muitas tirinhas as mães são sempre muito solitárias e estressadas. Muitos amigos somem ou esquecem da gente e a família muitas vezes nem queremos por perto porque é cada "pitaco" não pedido que cansa!
Terceiro adendo: eu sempre expliquei os meus sentimentos pro Ákilah, porque eu acredito que dentro da barriga o bebê sente toda a química corporal da mãe e também partilha do seu campo energético. Tanto que até hoje, basta eu me acalmar pra ele se acalmar também!
  •  O Ákilah é um bebê muito tranquilo e risonho! Adora a música Alecrim do Palavra Cantada e principalmente quando eu canto. Agora passamos menos tempo juntos, pois eu voltei a trabalhar meio período. Está sendo ótimo pra mim e pro pai dele (que é quem cuida do bebê enquanto eu trabalho), nós temos turnos de trabalho alternado pra dar conta da demanda!  
Bueno, isso foi um pouquinho do ultimo ano, logo mais volto com estudos e coisas interessantes pra compartilhar (sempre de forma leve e as vezes revoltada também).  Comentem, deixem recados e qualquer coisa escreve pra mim!! Me manda um email no contato!
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