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Alguns acontecimentos de fevereiro (que ainda nem acabou)!

Adorei esse filme, o livro e também minhas meias de abelhinha (veja aqui)
Bem, esse post é dedicado as coisas de fevereiro que gostaria de comentar com vocês. Coisas que me deixaram feliz, ou com sentimentos a flor da pele, de gratidão e afins.

1. Resenha Extraordinário

Uma coisa curiosa me aconteceu enquanto eu lia "Extraordinário" (resenha aqui), que eu esqueci de mencionar quando a escrevi. Estava lendo no ônibus, voltando do psicólogo quando um menino que vendia balas parou do meu lado e só mostrou a caixinha, eu perguntei quanto eram as balas de goma e ele disse: "1 real". Eu pensei, "com 1 real eu compro duas, mas ok, vamos lá".

- Quero duas. E entreguei uma nota de 2 reais. Ele me deu as balas e olhou para o livro que eu tinha largado no banco ao lado (o do corredor, eu estava na janela).

- O que está escrito ali? E apontou pra capa.

- "Extraordinário". Falei.

- Por que o menino só tem um olho?

- Ah, é uma ilustração, o livro conta a história de um menino que tinha "defeitos" no rosto, e ele teve que fazer várias cirurgias pra "arrumar". Falei, e os olhinhos dele ficaram olhando pra capa, pensando, longe. Tirei o livro do banco e coloquei sobre a bolsa no meu colo. Ele então se sentou ao meu lado.

- Foi o menino que escreveu?

Eu tive que rir, mas não de forma ruim, foi mais pra um sorriso.

- Não! Foi uma escritora, ela escreveu para mostrar as pessoas que não é ruim ser diferente.

Ele ficou com aquela cara de "ahh, entendi". Depois ficou olhando para frente.

- Vai descer onde? Perguntei preocupada com aquele menino que parecia ter no máximo 8 ou 10 anos.

Ele fez sinal com a cabeça para a próxima parada. Então eu falei:

- Que bom que tu vendeu bem né?!

Ele deu de ombros e mostrou que havia um pacote na caixa, então eu falei.

- Ah, mas só tem uma, sei que tu consegue! 

Ele sorriu, se levantou, me deu tchau e desceu. Não vi mais ele, mas aquilo me fez tão bem, foi alí que eu percebi que a minha repulsa por escolas particulares era somente por elas e não pelo ensino. Sei que ser professora de escolas públicas seria maravilhoso, acho que iria aproveitar muito essa experiência de compartilhar livros com alunos.

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2. Playlist linda do meu aniversário


Então gente, 10 de março eu faço aniversário e estou preparando uma festinha com meus amigos aqui em casa. Fogueira, comidinhas, luzes, mato, música e alegria! Sem falar nos litros de repelente hahah! Por isso, estou montando uma playlist amorzinho para o dia e quero compartilhar com vocês!


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3. Leitura de "A garota que eu quero".

No início o livro foi massante, mas agora eu estou apaixonada. Vou dar uma beliscadinha antes da resenha oficial. Cam fica falando sobre corpos, toques e masturbação. Garotas e em como ele se sente um desajustado perdedor, até que ele se apaixona e tudo na vida dele muda, tudo. Entenderam? Sabe aquele tipo de garoto carinhoso que beija a sua mão em vez de agarrar na sua bunda? Esse garoto é Cameron! É difícil não ficar suspirando de alegria ao ler esse livro. Ele realmente me surpreendeu!

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4. Aniversário da Vic


Bem, eu passei o dia fora e tudo que eu queria era dar os parabéns da Vic por aqui! Ela é uma moça maravilhosa, com uma história maravilhosa e um enteado querido! Vic, te desejo todo o sucesso do universo, muita luz, paz, amor e sexoooo (juro, eu quis dizer dinheiro). 


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Enfim, era isso, em breve tem mais, aguardem resenhas e mais! Deixo vocês com a oração do Ho'oponopono!



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Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio


Esse livro é uma fofura só, comecei a ler logo após a festa do pijama na casa da minha amiga e depois da leitura de O escolhido - Hannah Howell, e eu li ele em no máximo 10 dias, sendo 3 dias corridos na praia (eu li 60% nesses 3 dias). E, eu simplesmente amei e percebi como as pessoas são, como nós somos! 

A gente fala que aceita a deficiência (em suas diversas facetas), mas no fundo é estranho, é chocante, não conseguimos encarar uma pessoa assim, tanto por querer desviar por causa do desconforto quanto por achar que a pessoa vai ficar desconfortável, acredito que essas pessoas queiram ser encaradas, vistas, respeitadas e até que perguntem "o que você tem?". Lógico que existem pessoas e pessoas, algumas vão te abrir um sorriso e responder e outras irão fechar a cara e dizer que aquilo faz com que tu te sinta desconfortável! Na pedagogia estudamos sobre deficiência e como lidar com ela, mas na verdade nunca estamos realmente prontos ou preparados para lidar com humanos, nem eles conosco, pessoas e suas relações são delicadas, pois bem, vamos para o que interessa!

Informações:
 
(Skoob)
Ano: 2013
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Avaliação:★★★★★❤
Sinopse Skoob: O livro conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Em um manifesto em favor da gentileza, ele enfrenta uma missão nada fácil quando começa a frequentar a escola pela primeira vez: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Resenha:

August Pullman é um menino de 10 anos que nasceu com uma síndrome que, vamos dizer assim, deforma seu rosto, chamada Síndrome de Treacher-Collins, combinada com uma anomalia genética rara, essas condições na percepção da sua irmã Olivia “fizeram guerra no seu rosto”. Seus olhos são grande e ligeiramente caídos nas maçãs do rosto. Orelhas? Algo como orelhas. Sua boca foi reconstituída de diversas formas, o que deixa seu sorriso um pouco inexpressivo. Auggie é um menino cheio de energia, que por vezes acaba se fechando para o mundo por causa da forma de como este o trata. Mimado e protegido pelos familiares ele não tem realmente uma experiência de vida, mas tudo muda quando ele passa a estudar em uma escola.
Os capítulos do livro são separados por nomes dos personagens, cada um conta sua versão da história e seus fatos particulares
No primeiro momento ele é recepcionado por três colegas: Julian, Jack e Charlotte. Julian é o riquinho pé no saco, Charlotte é a queridinha que se dá bem com todos e é a estrela das peças de teatro, Jack é, é o Jack.  Julian passa o ano letivo todo importunando Auggie, Jack se torna um amigo, embora hajam pequenas brigas e confusões no percurso e Charlotte, bem, ela é legal.

No primeiro dia de aula Summer se senta com Auggie na Mesa do Verão, como eles chamam por causa dos seus nomes e só quem poderia sentar ali seriam pessoas cujos nomes remetessem a estações do ano. Summer e Jack são os únicos que realmente falam com Auggie, até porque ele é todo cheio de complexos com olhares, gestos e ações das pessoas referente a sua aparência.

August passa por diversos momentos que só quem sofreu bullying na escola sabe como é. Nos sentimos fragilizados e recorremos a atenção da família e amigos, o que muitas vezes não é bem visto, já que os outros que não compreendem tendem a pensar que estamos nos vitimizando e fazendo manha, quando na verdade queremos sumir só um pouquinho, ser alguém diferente ou simplesmente ser visto como somos. E é isso o interessante da história, não é só o Auggie que sofre com o bullying e o descaso, mas sua irmã Olivia e sua amiga Miranda também, cada uma a seu modo: Via (como a chamam a maior parte do tempo) era a irmã do August, o menino com o rosto estranho. Miranda era a menina chata do acampamento que certo dia inventou umas mentiras e acabou ficando popular.

Elas se desentendem justamente por isso, Miranda parecia querer Auggie para ela, como um irmão que não teve. Via queria parar de ser a irmã do menino estranho, então quando mudou de escola acabou não contando esse fato para ninguém, fazendo novos amigos, parou de falar com Miranda e por assim vai. Percebe-se que até a própria irmã sofria com o estado de Auggie. Alguns dirão que é egoísmo, mas eu vejo como um "olá, eu também sou importante" que ela tenta passar durante todo o livro, apesar de ter adotado desde muito cedo a postura de irmã auto suficiente e protetora, no fundo ela só queria ser tratada como um ser aparte e ser vista pelos pais que só tinham olhos para as prioridades de Auggie.

Eu entendo bem a Olivia, por um tempo eu agia igual a ela. Queria ser vista, ganhar colo, mas tudo que eu fazia era o oposto. Era auto suficiente, fechada, brigava, e quando tentava me aproximar da minha irmã ela não queria uma menina grande e chata se metendo nas brincadeiras dela, então era bem ruim pra minha autoestima. 

Hoje eu estou levando esses casos para meu psicólogo para tentar o desbloqueio, mas não é fácil superar um trauma que vem se repetindo porque você somente abafou ele. Sofri com o bullying durante 10 anos na escola. Dos 8 aos 17 anos (que foi quando eu me formei), algumas coisas se repetiram na faculdade o que fez eu me desestabilizar novamente. Hoje eu consigo falar um pouquinho sobre isso, mas eu dei uma travada quando meu psicólogo tocou nesse ponto, fiquei emotiva e relutante durante dois dias, mas agora consegui engolir o sapo, e a ideia é remexer mais ainda nisso. 

Acho que o problema do bullying é a diferença que incomoda. O "querer ser o centro" e quando não se é, essas pessoas acabam reproduzindo um comportamento agressor. Acredito que são pessoas com baixa autoestima também.

Mas, voltando ao livro, eu separei uns trechos bem legais para compartilhar aqui. O livro gira em torno de preceitos, mais especificamente de um professor, o Sr. Browne, um deles em especial que eu adotei para mim e penso até em tatuar um dia no braço ou coisa parecida.
Preceito de setembro do Sr. Browne:
Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. (p.55)
Esse acima é o que eu adoro, agora vamos aos outros.
Nesse mês (outubro), o preceito do Sr. Browne foi:
Seus feitos são seus monumentos. (p.72)
Adoro essa página em especial, é muito linda, então fotografei!

Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo - Auggie. (p. 313)
E, bem, tem esse preceito do August no final do livro que rola pela internet a solta e que eu não pude deixar de marcar:
E é isso, sabe? Gentileza é a mensagem que o livro passa. Ser humano, ser gentil, perceber o outro, não olhar as pessoas pelo que elas aparentam ser, as vezes acabamos nos enganando. Mas, o fundamental é que haverão pessoas que irão gostar de você com todos os seus problemas e cargas no exato momento que te conhecerem, haverão aquelas relutantes e aquelas que não irão gostar de você de cara! E o importante é não se importar tanto com isso. Meu pai diz: "fulano não paga minhas contas", ou seja, não devo nada para o "fulano", não tenho que ligar para a opinião dele, ainda mais se me fere, entende?

Achei um livro maravilhoso com essa campanha anti bullying e de amor ao próximo e as diferenças. Já é meu favorito e amadinho da estante, mesmo sendo só emprestado (Nanda, eu vou te devolver... um dia).

Espero que tenham gostado, porque eu empaquei três longos dias nessa resenha e sempre tinha alguma coisa que me impedia de escrever, ou era o intervalo do almoço acabando, ou a ansiedade para escrever sobre reformas ou minha mãe falando sem parar sobre algo que eu não lembro e daí não conseguia escrever nenhuma palavra, nem prestar atenção no que ela estava falando. Foram dias difíceis, peço perdão pela demora, haverão mais resenhas (em breve No mundo da Luna e Depois de Você).

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